Notícias
10:08

Incêndio em Hong Kong mata 55 e deixa mais de 270 desaparecidos em condomínio

Um incêndio de grandes proporções causou a morte de pelo menos 55 pessoas e deixou mais de 270 desaparecidas em um complexo de prédios residenciais em Hong Kong.

O fogo consumiu sete dos oito blocos de apartamentos do conjunto habitacional Wang Fuk Court, localizado no distrito de Tai Po. Quatro focos do incêndio já estão sob controle, e as autoridades esperam extinguir os demais ainda nesta quinta-feira (27/11).

O incêndio foi classificado como nível 5, o mais grave na escala de Hong Kong. Cerca de 800 bombeiros foram mobilizados para combater as chamas.

Três executivos de uma construtora foram presos sob suspeita de homicídio culposo, por conta do uso de materiais inflamáveis como telas de proteção e lonas plásticas, que podem ter acelerado a propagação do fogo.

Um especialista em segurança contra incêndios indicou que a grande quantidade de andaimes de bambu conectando os blocos contribuiu para a rápida difusão das chamas. Segundo o professor Jiang Liming, da Universidade Politécnica de Hong Kong, esse tipo de estrutura é comum em Hong Kong e integra a paisagem urbana da cidade.

O governo planeja substituir os andaimes de bambu por estruturas de aço, mais resistentes ao fogo, devido à alta inflamabilidade e deterioração do bambu.

Os prédios atingidos, construídos na década de 1980, possuem janelas que não são tão resistentes ao fogo, o que facilitou a passagem das chamas pela fachada. Durante o incêndio, observou-se o uso de vidros simples nas janelas, diferente dos vidros duplos usados em prédios modernos.

A população residente tem quase 40% dos moradores com mais de 65 anos, muitos vivendo no conjunto habitacional desde sua construção.

As autoridades investigam se outros materiais usados na reforma também influenciaram a propagação do incêndio. Especialistas afirmam que a instalação adequada de redes de proteção externas é essencial para evitar que o fogo se espalhe.

Um engenheiro comentou à rede Initium Media que a maioria das redes usadas nas construções locais não é retardante de fogo. Além disso, o acúmulo de papelão, entulho e solventes nos andaimes, somado ao tempo seco, pode ter acelerado o avanço das chamas.

Os bombeiros notaram ainda a presença de placas de isopor nas janelas do Wang Fuk Court, material considerado extremamente inflamável.

Moradores expressaram preocupação com as obras. Kiko Ma, que possui um apartamento no local, relatou que as janelas de seu imóvel ficaram lacradas por mais de um ano durante a reforma e que bitucas de cigarro eram encontradas próximas, o que gerava temor sobre riscos de incêndio.

Alarmes de incêndio chegaram a ser desligados durante os trabalhos, já que operários usavam as escadas de emergência com frequência.

Após o fogo começar, um grupo de mensagens criado por moradores ficou lotado com pedidos de ajuda para familiares desaparecidos. Kiko Ma comentou que acredita que o desastre foi evitável e resultou da negligência de muitos responsáveis.

O governo local iniciou inspeções em todos os conjuntos habitacionais em obras de grande porte para revisar a segurança das estruturas e materiais usados.

O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, declarou que as operações de resgate continuam, e apoio está sendo prestado aos afetados, incluindo alojamento temporário e assistência financeira e social. Ele afirmou que o governo está unido ao povo e confiante na superação da tragédia.

Explosões foram ouvidas nos prédios e os bombeiros relataram dificuldade para alcançar os andares superiores com as mangueiras.

Moradores, como Harry Cheung e Jason Kong, relataram o avanço rápido do fogo e o impacto devastador para a comunidade. A equipe da BBC na China sentia fumaça a 500 metros e conversou com pessoas afetadas no local.

O vereador do distrito de Tai Po, Mui Siu-fung, e o estudante Tomas Liu também descreveram a intensidade do fogo e da fumaça, classificando o acontecimento como um desastre.

Este é o incêndio mais grave em Hong Kong desde 2008, quando o Cornwall Court, no distrito comercial de Mong Kok, foi atingido por fogo.

Créditos: BBC

Modo Noturno