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Incêndio em prédios residenciais de Hong Kong deixa 55 mortos e dezenas desaparecidos

Por Bloomberg — Hong Kong

Na tarde de quarta-feira (26), por volta das 14h51 no horário local, um incêndio foi detectado pela primeira vez nas estruturas externas do Wang Cheong House, um edifício residencial de 31 andares no nordeste de Hong Kong.

O fogo se alastrou rapidamente pelo complexo à beira-mar no distrito de Tai Po, impulsionado por ventos frios e secos. Em poucas horas, sete das oito torres, contendo cerca de 2.000 apartamentos que abrigam aproximadamente 5.000 pessoas, estavam consumidas pelas chamas, enquanto uma densa fumaça escurecia o céu.

Moradores fugiram assustados dos prédios do conjunto Wang Fuk Court, assustados com a velocidade do fogo. Sem alarmes sonoros, muitos foram alertados por parentes e amigos para evacuar urgente. Idosos em cadeiras de rodas enfrentaram dificuldades para escapar.

Peter Leung, morador de 71 anos, conseguiu retornar ao local antes das 16h e viu o complexo em chamas; seu apartamento no 28º andar foi o único prédio não afetado.

Centenas de bombeiros trabalharam para conter o fogo enquanto moradores presos ligavam desesperadamente para os serviços de emergência, inclusive pedindo ajuda para salvar seus animais. O calor intenso dificultava o acesso dos socorristas a alguns prédios, pois as chamas continuavam crescendo.

O governo elevou o nível do alarme para o máximo, nº 5, às 18h22, pela primeira vez em 17 anos. O incêndio consumiu andares sucessivamente durante a noite. Na tarde de quinta-feira, após 24 horas, os bombeiros controlaram a maior parte do fogo, com os resgates ainda em andamento.

A propagação do incêndio foi inédita para uma cidade com o maior número de arranha-céus no mundo. O número de mortos chegou a 55, incluindo um bombeiro, e mais de 70 pessoas permanecem hospitalizadas. O número exato de desaparecidos é desconhecido, com autoridades estimando anteriormente cerca de 279, aumentando o receio de que o total de vítimas fatais possa ser maior.

Enquanto a polícia isolava a área, familiares e moradores buscavam notícias dos entes queridos. Sobreviventes ainda eram encontrados, trazendo alguma esperança.

A moradora Fong, 40 anos, falou com sua mãe de 70 pela última vez às 20h de quarta. A idosa estava escondida no banheiro do 27º andar com uma vizinha de 50 anos. Sua condição piorava, ficando tonta e confusa. A bateria do celular da vizinha acabou à meia-noite, cortando o contato.

Chong Wai-man, 75 anos, ouviu gritos de “fogo” por volta das 15h antes de fugir com a esposa, descendo 15 andares até um local seguro, passando a noite na casa de um filho próxima.

A causa do incêndio ainda não foi esclarecida. A polícia prendeu dois diretores e um consultor de engenharia de uma construtora, questionando as normas de segurança das reformas.

Hong Kong exige o uso de redes retardantes de fogo e materiais específicos em andaimes para evitar a propagação. O uso de andaimes de bambu, presente na reforma, será investigado.

Este incêndio é um dos maiores desafios para John Lee, chefe do Executivo desde 2022. Xi Jinping solicitou esforços para mitigar o desastre, que ocorre dias antes das eleições legislativas. Lee suspendeu as atividades eleitorais para focar no incêndio, mas não comentou sobre possível adiamento.

Apesar de Hong Kong ter registrado outros incêndios em arranha-céus, mortes são raras. Em outubro, um edifício comercial sofreu um incêndio em andaimes, hospitalizando quatro pessoas. Em 2023, um hotel em construção pegou fogo, mas foi controlado sem fatalidades. O incêndio residencial mais mortal anterior ocorreu em 1996, com 41 mortos.

O conjunto Wang Fuk, construído em 1983 como moradia subsidiada, estava em reformas feitas pela Prestige Construction & Engineering Co., contratada pelos proprietários.

Chen, 72 anos, estava sozinha em casa quando ouviu o tumulto na tarde de quarta. Sua filha, de férias na Coreia do Sul, ligou para avisar. Chen expressou preocupação pelos pertences perdidos, ao menos com a família segura.

Créditos: Valor Globo

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