Indicação de Jorge Messias ao STF gera contrariedade no presidente do Senado
O presidente Lula anunciou Jorge Messias para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal, o que causou forte contrariedade no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Aliados informam que Alcolumbre esperava ser comunicado previamente por Lula, considerando que caberá ao Senado sabatinar e votar a indicação.
Alcolumbre vinha atuando para que seu aliado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fosse indicado para o STF.
Segundo interlocutores próximos, Alcolumbre se queixou por a indicação ter sido feita durante o feriado, quando o Congresso não estava em funcionamento. Para esse grupo, seria “de bom tom” que Lula tivesse avisado o senador antes da divulgação oficial, já que ele será o responsável por conduzir a sabatina e votação.
A única conversa anterior registrada foi entre Lula e Pacheco na segunda-feira (17). Nessa reunião, Lula informou a Pacheco que havia escolhido um nome para a vaga no STF. Após o encontro, Pacheco comentou a interlocutores que a “página estava virada” sobre sua possível indicação ao STF.
Pacheco também disse ao presidente que não disputará as eleições de 2026, encerrando sua carreira política, enquanto Lula gostaria que ele fosse candidato ao governo de Minas Gerais.
Diante da insatisfação de Alcolumbre, aliados do presidente consideram que Lula terá que trabalhar pessoalmente para garantir a aprovação de Messias no Senado.
A recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na semana anterior, foi aprovada por 45 votos, apenas quatro acima do mínimo necessário. Para membros do governo, esse placar indica a necessidade de esforço ampliado para aprovar Messias.
Lula aplicou o mesmo critério adotado nas indicações de Cristiano Zanin e Flávio Dino, escolhendo alguém em quem confia pessoalmente. Messias, atual advogado-geral da União, faz parte do círculo mais próximo do presidente.
No Planalto, espera-se que Messias, por ser evangélico, tenha apoio de setores conservadores do Senado e até empenho do ministro do STF André Mendonça, também evangélico e indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ministros do STF próximos a Lula defendiam internamente que Rodrigo Pacheco fosse indicado, destacando sua atuação firme na defesa da democracia, especialmente durante as eleições de 2022.
Créditos: g1