Início da operação do Observatório Astronômico da UFRN é previsto para 2027

Após mais de dez anos em planejamento, o Observatório Astronômico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está entrando em sua fase final para começar a funcionar. Inicialmente previsto para inauguração em 2025, com novo prazo em 2026, a entrega do equipamento foi adiada para 2027 devido a desafios logísticos internacionais e processos de importação científica.
O projeto, liderado pelo astrofísico José Dias do Nascimento Júnior e orçado em cerca de R$ 2 milhões, tem como objetivo transformar o Campus Central de Natal em um centro de democratização científica para o Nordeste. O professor esclarece que faltam concluir a obra civil e a etapa complexa de instalação dos instrumentos. Ele destaca que o observatório vai além de um prédio com telescópios, funcionando como uma ponte entre a sociedade e o Universo, com foco na formação de pessoas, despertar de vocações e aproximação das grandes questões da humanidade.
O prédio está entre os primeiros da universidade a receber o “Selo Verde” por práticas sustentáveis e acessibilidade. O maior desafio atual é a cúpula astronômica, componente essencial importado dos Estados Unidos, cuja aquisição depende de processos administrativos e da disponibilidade de cotas de importação para universidades federais e institutos de pesquisa. Como as cotas disponíveis em 2025 já foram usadas, a universidade aguarda a liberação de novas janelas orçamentárias para avançar na aquisição do equipamento.
Enquanto espera pelos componentes tecnológicos, o entorno da construção já recebe aulas práticas de Introdução à Astronomia e observações estelares, envolvendo estudantes de diversas áreas. O foco atual está na criação de um Comitê Gestor, formado por docentes do Departamento de Física e outras unidades, que será responsável por coordenar exposições, atividades educativas e a logística para receber escolas públicas e privadas.
O equipamento disponível inclui um telescópio de 35 cm de diâmetro já no estado, que promete proporcionar observações imersivas e detalhadas da Lua, Júpiter e Saturno. O projeto também prevê um laboratório de inteligência artificial e tecnologias de realidade virtual, ampliando o alcance do conhecimento astronômico para além do auditório de 40 lugares, alcançando remotamente escolas de todo o estado.
O astrofísico José Dias ressalta a importância do Nordeste brasileiro ocupar um papel estratégico na formação científica e tecnológica, especialmente em um momento em que o mundo direciona atenção ao espaço, exoplanetas e à busca por vida no Universo.
O objetivo final é entregar uma infraestrutura científica robusta, capaz de aproximar a astronomia da sociedade. O observatório visa integrar ensino, extensão e pesquisa, promovendo a formação de estudantes, professores e atraindo pesquisadores para a universidade, marcando um avanço significativo na democratização da astronomia e da cultura científica.
Créditos: Tribuna do Norte