Inspeção do TCU no Banco Master gera desconforto em bancos e levanta suspeitas
A inspeção realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em documentos relativos ao Banco Master, que estão sob custódia do Banco Central (BC), gerou desconforto entre instituições financeiras. O momento é delicado, pois cresce a defensa da liquidação da instituição de Daniel Vorcaro realizada pelo regulador. Cerca de sete federações e associações do setor bancário manifestaram apoio público ao Banco Central.
Na Faria Lima, principal centro financeiro de São Paulo, existe receio de que o ministro do TCU responsável pelo caso Master, Jhonatan de Jesus, venha a suspender a liquidação do banco por meio de liminar. Em dezembro, o ministro qualificou a liquidação como “precipitada” e solicitou esclarecimentos ao BC.
Para um executivo de banco entrevistado, a reversão da liquidação traria consequências negativas e imprevisíveis para o sistema financeiro e o mercado, podendo afetar a estabilidade do setor.
Outro diretor bancário destaca que a inspeção do TCU representa uma intervenção nas operações do BC que incomoda o mercado, especialmente por não haver precedentes recentes de inspeções similares em bancos do porte do Master, mesmo em crises anteriores como as de 2008 e 2009.
Além disso, esse interlocutor chama atenção para o fato de a inspeção ter ocorrido durante o recesso do Tribunal, o que aumenta as suspeitas entre os agentes do mercado.
Na decisão desta sexta-feira, técnicos do TCU se dirigiram ao prédio do BC para examinar documentos do Master que, por sigilo, não podem deixar a sede do regulador em Brasília. Esses documentos são mencionados em relatório do BC enviado ao TCU e apontam problemas de liquidez no banco, que estava sem caixa para cumprir compromissos de curto prazo. Também indicam novas comunicações de crimes envolvendo o Master remetidas ao Ministério Público Federal (MPF).
Dentre as entidades que defenderam publicamente o BC estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Anbima, representante das gestoras de recursos, e a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), que inclui entre seus associados bancos como o Banco do Brasil, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, a Caixa Econômica Federal e o BNDES.
Em nota, a ABDE destacou a importância da preservação da autoridade técnica do Banco Central para manter a estabilidade, confiança e bom funcionamento do sistema financeiro nacional.
Embora as manifestações não façam referência direta ao caso Master ou às investigações do TCU e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a liquidação do banco, elas enfatizam a importância da independência e capacidade técnica do BC para desempenhar seu papel regulatório.
Um documento conjunto da Febraban e outras quatro associações do setor ressalta que a presença de um regulador técnico e independente é fundamental para a construção de um sistema financeiro sólido e resiliente.
Créditos: Estadão