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Instituto Brasil-Palestina repudia fala de Jaques Wagner sobre Hamas

O Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal) divulgou uma nota pública na terça-feira (7) para repudiar declarações do senador Jaques Wagner (PT-BA) durante sessão no Senado Federal. O parlamentar afirmou que “o Hamas tem que ser exterminado”, expressão que a entidade considera com caráter potencialmente genocida e contrária a compromissos internacionais do Brasil.

Segundo o Ibraspal, a fala não deve ser vista como opinião isolada. A entidade aponta que a retórica de Wagner reproduz discursos de eliminação coletiva semelhantes aos do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que justifica ataques militares a Gaza para “eliminar o Hamas”.

O texto destaca que a posição do senador se aproxima da narrativa de Netanyahu ao admitir a possibilidade de “exterminar” um movimento profundamente presente na sociedade palestina, o que equivaleria a exterminar o próprio povo.

O documento lembra que líderes mundiais reconhecem que o Hamas não pode ser eliminado apenas por meios militares. Entre eles está o alto representante da União Europeia, Josep Borrell, que afirmou: “Hamas tem de ser erradicado. Mas Hamas é uma ideia, representa uma ideia, e não se pode matar uma ideia”.

O ex-presidente dos EUA, Joe Biden, também foi citado dizendo que “enquanto houver ocupação e desesperança, haverá resistência”. Na mesma linha, o ex-secretário de Estado Antony Blinken comentou que uma vitória militar “não eliminaria o sentimento e a ideologia que alimentam o Hamas”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que “não se destrói um movimento como o Hamas com bombas”. Já o intelectual Noam Chomsky destacou: “Você pode matar combatentes, mas não consegue matar uma ideia. Enquanto existir ocupação e apartheid, haverá resistência”.

O Ibraspal enfatiza que o Brasil é signatário da Convenção da ONU de 1948 para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, que considera crime internacional incitar, defender ou normalizar a eliminação de grupos nacionais, étnicos, raciais ou religiosos.

Para o instituto, as palavras de Wagner refletem “a lógica genocida” denunciada por tribunais como a Corte Internacional de Justiça e a Corte Penal Internacional. A nota ressalta que mandatos parlamentares não garantem imunidade moral ou política para declarações que legitimem extermínios.

A instituição listou quatro medidas necessárias em resposta ao ocorrido.

O Ibraspal finaliza afirmando que discursos de ódio institucionalizados abriram caminho para “os maiores crimes da história contemporânea” e que as palavras têm peso jurídico e político incontestável.

Créditos: Brasil 247

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