Política
09:05

Intervenção americana na Venezuela expõe incoerências da esquerda brasileira

Hugo Chávez governou a Venezuela por 14 anos, desde sua eleição em 1998 até sua morte em março de 2013. Nicolás Maduro esteve no poder por outros 13 anos. Um mesmo grupo político evitou a alternância de poder por meio de fraudes eleitorais e violência contra opositores.

Durante esse período, o Brasil, em grande parte sob governos do PT, minimizou a gravidade do regime venezuelano. Se a maior potência regional tivesse condenado as fraudes eleitorais, como fizeram os EUA e a União Europeia, talvez a situação atual fosse diferente.

No entanto, o Brasil se retraiu. Por razões ideológicas e relações pessoais entre líderes, o PT e seus governos continuaram apoiando os ditadores de Caracas, permanecendo alinhados com uma postura de apoio a regimes autoritários.

Com a recente intervenção dos EUA na Venezuela, muitos criticaram a ação afirmando que “dois erros não fazem um acerto”, mas pouco questionaram o erro inicial, que foi o governo Maduro manter-se no poder através de artifícios ilegítimos.

Para a esquerda liderada pelo PT, as violações e o autoritarismo do governo venezuelano foram relativizados, criando justificativas que diferenciavam ditadores de esquerda e de direita. Enquanto ideais históricos de oposição a ditaduras militares no Brasil são fortes, houve defesa e tolerância com o regime autoritário de Maduro.

Ainda que se discuta a motivação dos EUA, a violação de leis internacionais e a necessidade de posse imediata do presidente eleito Edmundo González, é importante optar pelo realismo ao invés da hipocrisia.

A soberania nacional, enquanto conceito, existe de forma limitada. A força militar é o que realmente garante poder, como evidenciado pela facilidade com que Maduro foi removido de seu local de proteção, sem reação das forças militares venezuelanas.

Na ausência de recursos militares predominantes, o melhor caminho para a soberania é a manutenção de um sistema político transparente, com alternância de poder, acesso à educação, segurança alimentar, saúde pública decente, diplomacia pragmática e forças armadas respeitáveis.

Embora o mundo ideal não exista, os eventos recentes devem ser comemorados pelo fato de que um ditador envolvido com narcotráfico e violência foi finalmente afastado.

A Venezuela e o mundo estão em situação melhor com a queda de Maduro, embora o Brasil não tenha colaborado para isso.

Esses acontecimentos também trazem uma lição importante para Brasília: onde a ideologia foi usada para proteger crimes, a situação pode mudar de forma abrupta.

Diversos governos na América Latina, sejam democráticos ou ditatoriais, têm conexões com o narcotráfico e o crime organizado. Os eventos na Venezuela alimentam esperança de mudanças semelhantes em outras nações.

Créditos: Brazil Journal

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