Irã ameaça bombardear bases americanas no Oriente Médio em caso de ataque
O Irã ameaçou nesta quarta-feira (14) bombardear bases americanas no Oriente Médio se o país for atacado.
A escalada de violência, repressão e acusações mútuas continuou no Irã, com manifestações consideradas pelas autoridades iranianas e governos ocidentais como as mais intensas desde a Revolução Islâmica de 1979.
Testemunhas relatam que familiares de jovens manifestantes mortos aguardam em frente a um prédio governamental em Teerã para receber os corpos entregues pelas forças de segurança.
O governo organizou uma procissão fúnebre para agentes das forças de segurança e funcionários do estado mortos nos confrontos. Parte da multidão acusou Israel e Estados Unidos por incitar a violência. Uma mulher presente declarou que incêndios e a destruição de propriedades agravam a crise econômica e que somente protestos pacíficos podem conduzir a mudanças.
As autoridades endureceram o discurso. O chefe do poder judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, afirmou que deve haver punição rápida para os acusados de atos violentos durante os protestos.
Na terça-feira (13), a ONG curda iraniana Hengaw informou que Erfan Soltani, de 26 anos, preso durante os protestos na cidade de Karaj, teria sua execução por enforcamento marcada para esta quarta-feira (14), após um julgamento sumário. Nesta quarta, a organização recebeu da família a informação de que a execução foi adiada.
A TV estatal mencionou pela primeira vez uma grande quantidade de mortos, sem revelar números. Organizações de direitos humanos apresentam diferentes estimativas: o grupo Hrana confirmou a morte de mais de 2,4 mil manifestantes e de 147 pessoas ligadas ao governo, enquanto uma emissora iraniana do Reino Unido estima que o número chegue a 12 mil.
O bloqueio da internet, que já dura uma semana, dificulta o acesso a informações e a confirmação independente dos números.
Teerã alertou Turquia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes, países onde tropas americanas estão presentes, que poderá atacar bases americanas se ocorrer um bombardeio externo. O governo italiano aconselhou seus cidadãos a deixarem o Irã.
Créditos: Globo