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09:06

Irã ameaça retaliar ataques dos EUA e Israel amid protestos internos

O Irã alertou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que qualquer ofensiva americana resultará em uma retaliação de Teerã, com foco em Israel e bases militares americanas na região como “alvos legítimos”. A declaração foi feita pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, no domingo (11).

A ONG americana de direitos humanos Hrana informou que os protestos iniciados em 28 de dezembro resultaram em 116 mortes no Irã, incluindo 37 membros das forças de segurança. Cerca de 2.300 pessoas foram presas, segundo a entidade. Outra organização, Iran Human Rights, sediada na Noruega, divulgou um número maior, apontando ao menos 192 mortos, alertando para possível aumento devido às restrições de comunicação no país. O governo iraniano ainda não anunciou números oficiais.

Qalibaf, que já foi comandante da Guarda Revolucionária, afirmou: “Sejamos claros: se houver um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), assim como bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”.

Em reação, Israel está em estado de alerta máximo pela possibilidade de intervenção nas manifestações, conforme relato de três autoridades israelenses anônimas. No sábado (10), Trump declarou que os EUA estão “prontos para ajudar” os manifestantes, sugerindo interferência.

No mesmo dia, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu discutiu com o secretário de Estado americano Marco Rubio a possibilidade de intervenção, informação confirmada sem detalhes oficiais.

No ano anterior, Israel e Irã travaram um conflito de 12 dias, com apoio americano a Tel Aviv em ataques aéreos contra instalações nucleares iranianas, contra-ataques com mísseis a bases americanas no Catar e aumento da tensão regional.

Protestos no Irã começaram contra a inflação e evoluíram para críticas ao regime clerical vigente desde 1979, com o governo acusando EUA e Israel de fomentá-los. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian deve tratar de respostas e reformas em entrevista à TV estatal.

Desde quinta-feira (8), o governo impôs um blackout na internet, limitando a conectividade ao redor de 1%, segundo o observatório Netblocks.

Vídeos nas redes sociais mostram manifestações noturnas em Teerã, com pessoas batendo em corrimãos como forma de protesto.

A mídia estatal transmitiu funerais de membros das forças de segurança mortos nos conflitos em várias cidades, incluindo Isfahan e Kermanshah. Também reportou incêndio em uma mesquita por manifestantes em Mashhad.

A Guarda Revolucionária culpou “terroristas” por ataques a instalações de segurança.

O Irã já reprimiu protestos anteriores, mais recentemente após a morte de Mahsa Amini em custódia, que gerou indignação pública.

Nos EUA, uma alta autoridade de inteligência classificou a situação no Irã como um “jogo de resistência”, com a oposição tentando manter pressão para mudança de lideranças, enquanto o regime promove temor para dispersar as manifestações, evitando dar motivos para intervenção americana.

Israel mantém posição de não intervir diretamente, apesar da tensão crescente relacionada aos programas nuclear e de mísseis iranianos. Em entrevista à revista The Economist, Netanyahu advertiu que o Irã enfrentaria graves consequências caso atacasse Israel, comentando ainda sobre os protestos internos iranianos.

Créditos: Folha de S.Paulo

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