Irã deve executar manifestante preso durante onda de protestos na quarta
O manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, detido por sua ligação com protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj, deve ser executado pelas autoridades iranianas na quarta-feira (14).
A informação foi divulgada na terça-feira (13) pela organização humanitária curdo-iraniana Hengaw. Segundo a organização, as autoridades informaram à família que a sentença de morte é definitiva. Soltani foi preso em casa na última quinta-feira (8).
De acordo com os parentes, ele não teve acesso a um advogado e não houve audiência judicial para seu julgamento.
O chefe do Judiciário iraniano, subordinado ao líder supremo Ali Khamenei, afirmou que tribunais especializados foram designados para tratar os protestos.
Desde dezembro, as manifestações iniciadas por reclamações econômicas tomaram um rumo contra o regime dos aiatolás, que governa o Irã desde 1979. A repressão violenta motivou os manifestantes a pedir o fim do governo.
Carros foram incendiados em protestos em Teerã, capital do Irã, no dia 8 de janeiro.
Um membro do governo iraniano informou à Reuters nesta terça que cerca de 2.000 pessoas morreram nos protestos. Essa fonte classificou os manifestantes de “terroristas” e os responsabilizou pela morte de civis e agentes de segurança.
O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, declarou estar “horrorizado” com a repressão das forças de segurança iranianas contra manifestações pacíficas.
Até a última atualização desta reportagem, o governo iraniano não confirmou oficialmente o novo balanço de mortes. Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que a situação no país estava “sob controle total” após o aumento da violência durante o fim de semana.
Araqchi alegou que a ameaça de intervenção feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, motivou “terroristas” a atacar manifestantes e forças de segurança, para justificar uma possível ofensiva.
Trump já havia declarado, em 2 de janeiro, que os EUA estavam “prontos para agir” se manifestantes pacíficos fossem mortos. No sábado (10), ele renovou as ameaças afirmando que o Irã busca liberdade e que os americanos estão “prontos para ajudar”.
O grupo de direitos humanos HRANA, com base nos EUA, reportou à Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, incluindo 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas até domingo (11).
Outras organizações também monitoram a situação, mas o Irã está isolado internacionalmente após o corte da internet pelo líder Ali Khamenei, o que dificulta a confirmação exata das mortes, embora relatos indiquem que forças de segurança dispararam contra manifestantes.
O governo não divulga números oficiais regulares da repressão e acusa os EUA e Israel de se infiltrar nos protestos, responsabilizando-os pelas mortes ocorridas.
O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, informou que as forças de segurança aumentaram o confronto contra os manifestantes. A Guarda Revolucionária afirmou que manter a segurança nacional é inegociável.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu à população que evite se aproximar de “terroristas e badernistas” e tentou propor diálogo com manifestantes, ao mesmo tempo em que acusou os EUA e Israel de semear desordem no país.
Créditos: Globo