Internacional
18:04

Irã enfrenta protestos pelo 14º dia com mais de 500 mortos

Iranianos protestaram nas ruas pelo 14º dia consecutivo contra a crise econômica e o governo. Organizações de direitos humanos estimam que mais de 500 pessoas tenham morrido durante as manifestações.

Essa mobilização é a maior contra o regime iraniano em mais de três anos. Os protestos são contra o aiatolá Ali Khamenei, no poder há 35 anos e considerado o chefe de Estado mais longevo do Oriente Médio.

Khamenei foi eleito presidente do Irã em 1981 com 95% dos votos. Desde 1989, após a morte do aiatolá Khomeini, acumula as posições de líder religioso e político do país, transformando o Irã em uma república teocrática. A repressão policial aumentou o descontentamento com o regime autoritário.

Originalmente, os protestos surgiram em reação à crise econômica. Comerciantes organizaram-se contra a inflação, o aumento dos preços dos produtos básicos e a desvalorização do rial, a moeda iraniana. Em dezembro, houve alta média de 52% nos preços em comparação ao ano anterior, conforme o Departamento Central de Estatísticas.

O Irã enfrenta problemas econômicos prolongados, agravados por sanções impostas pelos Estados Unidos após a eleição de Donald Trump e pela guerra com Israel, que também impactou negativamente o país.

O grupo de direitos humanos Hrana estimou em 500 o número de mortos desde o início dos protestos, enquanto a ONG Iran Human Rights, da Noruega, confirmou pelo menos 200 mortes.

A rede de internet foi cortada por determinação de Ali Khamenei, deixando o Irã quase sem acesso online por 72 horas, segundo o monitor NetBlocks, dificultando o contato do país com o mundo exterior.

Hospitais, especialmente em Teerã, estão sobrecarregados com feridos. Profissionais da saúde relataram que um hospital oftalmológico entrou em colapso devido ao volume de atendimentos. Muitos dos feridos apresentam lesões causadas por arma de fogo na cabeça e nos olhos.

Khamenei enfrentou diversas ondas de protestos durante sua gestão, todas reprimidas violentamente. Seu governo foi acusado de eliminar opositores exilados e reprimir jornalistas e intelectuais contrários ao regime.

Na quinta-feira, Khamenei declarou que o governo “não vai recuar” e qualificou os manifestantes como “vândalos e arruaceiros” que buscam agradar o presidente dos Estados Unidos.

Na mesma semana, Trump ameaçou aplicar sanções severas caso o Irã reprima os protestos com violência, afirmando estar pronto para ajudar os manifestantes, que estariam buscando liberdade.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse acompanhar a situação de perto e elogiou a coragem dos manifestantes iranianos, afirmando que o mundo se impressiona com sua bravura.

As informações são da Reuters, AFP e Deutsche Welle.

Créditos: UOL

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