Irã responde a ameaças de Trump e culpa EUA e Israel por mortes em protestos
O Irã rebateu as recentes ameaças feitas por Donald Trump e atribuiu a responsabilidade pelas mortes de manifestantes durante os protestos que ocorrem há mais de duas semanas às administrações dos Estados Unidos e Israel.
Em carta encaminhada ao Conselho de Segurança da ONU, o embaixador iraniano Amir Saeid Iravani acusou os EUA de promoverem a desestabilização política, incitar a violência e ameaçar a soberania e segurança nacional do Irã, conforme reportagem da agência Reuters.
Na mesma missiva, Iravani responsabilizou legalmente os Estados Unidos e o governo israelense pelas mortes de civis inocentes, especialmente jovens, ocorridas nos protestos recentes no país. A carta foi também destinada ao secretário-geral da ONU, António Guterres.
O comunicado do Irã foi uma resposta direta a uma publicação do presidente americano Donald Trump nas redes sociais, em que este advertiu que o governo iraniano pagaria caro por qualquer violência, prometendo apoio aos manifestantes e cancelando reuniões com autoridades iranianas enquanto os assassinatos não cessassem.
Trump ainda afirmou que os Estados Unidos adotariam medidas rigorosas caso o regime iraniano iniciasse execuções por enforcamento de manifestantes, em referência a uma execução marcada para o dia seguinte, feita em entrevista à CBS News. Ele reforçou que ajuda em diferentes formas, incluindo econômica, está a caminho dos cidadãos iranianos, sem detalhar futuras ações militares após ataques aéreos realizados em 2023 contra instalações nucleares do Irã.
“O objetivo final é vencer. Eu gosto de vencer”, declarou Trump. Ele afirmou que protestos são aceitáveis, porém condenou a violência e o enforcamento planejado de manifestantes.
Uma autoridade iraniana, em entrevista à Reuters, reconheceu pela primeira vez a ocorrência de cerca de 2.000 mortes durante os protestos, atribuindo-as a “terroristas” sem detalhar as vítimas. Por sua vez, a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, contabiliza 648 manifestantes mortos com base em dados locais.
Enquanto isso, o Irã segue em apagão digital há mais de 108 horas, conforme relatório da organização global NetBlocks, com internet fixa, dados móveis e telefonia desativados, além da censura crescente de meios de comunicação.
Também segundo a Iran Human Rights, mais de 2.600 pessoas foram presas, sem detalhamento sobre faixa etária ou gênero dos detidos.
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro com comerciantes do bazar de Teerã, que se mobilizaram contra a inflação alta e o colapso da moeda nacional rial. As manifestações ganharam caráter político e se espalharam por várias cidades do país.
Atualmente, o Irã enfrenta a maior onda de protestos dos últimos três anos, sendo associações políticas desde sua fundação em 1979. Esta é a maior mobilização desde o movimento “Mulheres, Vida, Liberdade” de 2022-2023, que foi desencadeado pela morte da estudante Mahsa Amini sob custódia policial pela questão do uso do véu.
Créditos: noticias UOL