Israel aceita convite de Trump para Conselho da Paz; China defende ONU
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aceitou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o denominado “Conselho da Paz”, conforme anunciado pelo gabinete israelense nesta quarta-feira (21). Já a China afirmou que mantém sua defesa de um sistema internacional com as Nações Unidas como núcleo central.
O Conselho da Paz, criado por Trump, foi inicialmente idealizado para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, região debilitada por mais de dois anos de conflito entre Israel e o Hamas. Contudo, o documento proposto por Trump amplia o propósito do órgão, dando-lhe um mandato global para atuar na resolução de conflitos armados em várias partes do mundo, com Trump exercendo amplos poderes como presidente do conselho.
Embora o Conselho de Segurança da ONU tenha endossado a criação do órgão, o porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, Farhan Haq, reafirmou na segunda-feira que o apoio é “estritamente para esse fim”, referindo-se à reconstrução de Gaza.
Além de Netanyahu, líderes como o rei Mohammed VI do Marrocos e o xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos, aceitaram o convite para participarem como “membros fundadores”. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o premiê armênio, Nikol Pashinyan, também confirmaram adesões recentes.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, evitou confirmar se o país participará do conselho, ressaltando que, independentemente das mudanças internacionais, Pequim apoia firmemente o sistema internacional centrado na ONU, baseado no direito internacional e nos princípios da Carta das Nações Unidas.
Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China tradicionalmente defende o sistema das Nações Unidas, embora apoie reformas no mesmo.
De acordo com o preâmbulo do documento enviado pelos Estados Unidos aos países convidados, o Conselho da Paz busca promover estabilidade, restaurar governança legítima e garantir paz duradoura em áreas afetadas por conflitos.
O texto de oito páginas critica abordagens e instituições que têm falhado, em referência clara à ONU, e pede coragem para romper com ela, enfatizando a necessidade de uma organização de paz internacional mais ágil e eficaz.
Donald Trump será o primeiro presidente do Conselho da Paz, com poderes que incluem convidar autoridades a participar e revogar convites, salvo veto por maioria qualificada dos membros.
O conselho executivo contará com sete membros, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Um funcionário americano afirmou, sob condição de anonimato, que Trump poderá manter a presidência do conselho mesmo após o fim de seu mandato presidencial, até que renuncie, cabendo ao sucessor nomear um representante.
Ainda conforme o documento, cada Estado-membro cumprirá um mandato máximo de três anos, renovável pelo presidente, exceto para aqueles que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano, que terão condições especiais. A adesão ao conselho é voluntária e não envolve taxas, segundo o funcionário americano.
Créditos: UOL Notícias