Internacional
09:06

Israel afirma que um dos corpos devolvidos pelo Hamas não é de refém

Israel comunicou que um dos corpos entregues pelo Hamas não pertence a nenhum dos reféns capturados em 7 de outubro de 2023, intensificando as tensões nas negociações. A troca de restos mortais já havia ocorrido antes, recebendo críticas do governo israelense. O Hamas está sob pressão para localizar e devolver todos os corpos dos reféns, enquanto a destruição em Gaza dificulta a identificação e recuperação.

Nesta quarta-feira, as Forças Armadas de Israel disseram que um dos quatro corpos recebidos na terça-feira não corresponde a nenhum dos reféns capturados pelo grupo palestino no ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. O tema tem causado tensões crescentes em Israel, onde a cobrança pelo retorno dos restos mortais é alta e pode travar o avanço das negociações e futuras fases do acordo.

“Após os exames do Instituto Nacional de Medicina Legal, o quarto corpo entregue pelo Hamas não corresponde a nenhum dos reféns. O Hamas deve fazer todos os esforços necessários para devolver os reféns falecidos”, afirmou o Exército em comunicado.

A primeira etapa do acordo entre Israel e Hamas resultou em cessar-fogo na Faixa de Gaza, possibilitando a troca dos últimos reféns israelenses vivos por prisioneiros palestinos e um processo de devolução de corpos. Durante negociações no Egito, líderes palestinos disseram não saber a localização de todos os corpos. Mesmo assim, o acordo estabeleceu a última segunda-feira como prazo final para a troca.

Não é a primeira vez que o Hamas entrega um corpo trocado como sendo de um refém. Em fevereiro, durante um acordo anterior, restos mortais não identificados foram enviados como sendo de Shiri Bibas, mãe de duas crianças que morreu junto com os filhos sob o controle do grupo. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu criticou duramente o episódio, classificando o Hamas como “cínico e cruel”. Na época, o Hamas justificou um erro, alegando que os restos estavam “misturados”.

As famílias confirmaram a identidade de três dos quatro corpos recebidos na terça-feira: Uriel Baruch, morto no ataque ao festival de música Nova; Eitan Levy, sequestrado enquanto levava um amigo ao kibutz de Beeri, no sul de Israel; e Tamir Nimrodi, militar capturado de uma base perto de Gaza, onde servia como suboficial da área da educação. Segundo o Fórum das Famílias dos Reféns, Nimrodi morreu em um bombardeio israelense enquanto estava em cativeiro.

Na segunda-feira, o Hamas havia entregue outros quatro corpos com identidades confirmadas em exames: Guy Illouz, Bipin Joshi, Yossi Sharabi e o capitão Daniel Peretz. Vinte e um corpos permanecem no enclave palestino, aumentando a pressão para que Netanyahu não avance no acordo antes de receber todos.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, pediu o corte de ajuda a Gaza caso o Hamas não devolva os restos mortais dos soldados que permanecem no enclave. Famílias de reféns cobram maior pressão sobre o grupo, a quem responsabilizam pela demora.

“Está claro para nós que eles [Hamas] poderiam e deveriam ter libertado mais pessoas na segunda-feira, e estão apenas brincando”, comentou Rotem Cooper, filho de um dos reféns mortos, Amiram Cooper, à BBC.

Organizações internacionais ativas em Gaza afirmam que, devido à destruição causada por dois anos de guerra, identificar e acessar os locais de cativeiro, possivelmente túneis e edifícios danificados, é extremamente difícil. Um porta-voz da Cruz Vermelha destacou que alguns corpos possivelmente nunca serão encontrados.

Créditos: O Globo

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