Israel anuncia cessar-fogo em Gaza 24h após reunião do governo
O governo de Israel informou que o cessar-fogo em Gaza começará 24 horas após a conclusão da reunião do gabinete liderado por Netanyahu, marcada para as 18h no horário local (12h de Brasília).
A reunião, anunciada pelo próprio Netanyahu, detalhará o acordo do cessar-fogo. A porta-voz do primeiro-ministro, Shosh Bedrosian, destacou que, após esse intervalo de 24 horas, terá início um prazo de três dias concedido pelos Estados Unidos para a libertação dos reféns.
Bedrosian declarou: “Hoje, às 17h, haverá uma reunião de gabinete e, às 18h, uma reunião de governo. Vinte e quatro horas depois disso, o cessar-fogo em Gaza terá início. Depois deste período, começam as 72 horas para a devolução de nossos reféns”.
A expectativa é que os reféns sejam liberados até segunda-feira. Israel já está preparado para recebê-los em quaisquer condições e espera que a devolução seja feita com respeito e decoro, afirmou a porta-voz.
Durante as 24 horas anteriores ao cessar-fogo, as tropas das Forças de Defesa dos Israel irão recuar para uma área definida previamente pelo governo dos EUA. Sobre prisioneiros, Israel informou que Marwan Barghouti, líder do Fatah, não será incluído na libertação prevista no acordo. O Hamas entregou ontem uma lista com centenas de presos que devem ser liberados, em conformidade com a proposta inicial dos EUA.
Bedrosian explicou que a assinatura do acordo da primeira fase do cessar-fogo ocorreu ontem no Egito. A reunião do gabinete hoje discutirá os detalhes para implementar essa etapa.
Pouco antes da declaração de Israel, o Hamas acusou o governo Netanyahu de tentar “manipular datas, listas e procedimentos” do acordo, segundo o porta-voz extremista Hazem Qassem em entrevista à Al Jazeera.
A formalização do cessar-fogo veio logo após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, que comemorou: “Israel e Hamas firmaram a primeira fase do nosso Plano de Paz, o que significa que os reféns serão libertados em breve e as tropas israelenses recuarão conforme o acordo, avanços essenciais para uma paz duradoura”.
Cerca de 20 reféns israelenses, todos homens, a maioria com menos de 30 anos e alguns com dupla nacionalidade, serão trocados por aproximadamente 2.000 presos palestinos detidos em Israel. A troca acontecerá nas 72 horas seguintes ao início do cessar-fogo.
Segundo a AFP, os palestinos a serem liberados incluem presos com sentenças perpétuas e detidos desde o começo do conflito. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu agradeceu aos soldados e a Trump pelo empenho na libertação dos reféns.
O grupo extremista Hamas cobrará o cumprimento integral do acordo por parte de Israel, apelando a Trump, países garantidores e grupos árabes, islâmicos e internacionais para que pressionem o governo israelense a respeitar todas as exigências.
As negociações aconteceram no Egito, em Sharm el-Sheikh, durante três dias. Além de Israel e Hamas, participaram representantes dos Estados Unidos, Turquia e Qatar. A lista de prisioneiros a serem trocados foi entregue pelo Hamas e segue critérios acordados.
O plano dos EUA, proposto inicialmente por Trump e aceito por ambas as partes, prevê a libertação de 250 prisioneiros palestinos e 1.700 detidos desde o início da guerra após a liberação dos reféns israelenses.
Também está prevista a soltura de todas as mulheres e crianças palestinas detidas desde 7 de outubro de 2023. Atualmente, a situação dos reféns que permanecem vivos em Gaza é incerta, com casos de retornos de reféns falecidos, como o franco-israelense Ohad Yahalomi, em fevereiro.
Créditos: UOL Notícias