Israel aprova plano de paz com Hamas e inicia retirada da Faixa de Gaza
Na quinta-feira (9), foi aprovado um acordo referente à primeira fase do plano de 20 pontos proposto pelo presidente americano Donald Trump para encerrar o conflito entre Israel e Hamas, em negociações indiretas realizadas em Sharm el-Sheikh, no Egito. O acordo prevê a troca dos 48 reféns que estavam em poder do Hamas desde o ataque em 7 de outubro de 2023, por cerca de 2.000 palestinos presos em Israel.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu anunciou no X que o governo aprovou o quadro para a libertação de todos os reféns, vivos ou mortos. Ele informou que 20 reféns estão vivos e 28 faleceram. Netanyahu manifestou a esperança de que, já na noite de segunda-feira, haja um “dia de alegria nacional” com o retorno dos reféns ainda detidos na Faixa de Gaza.
Netanyahu também falou a respeito do feriado de Simchat Torá, que caiu em 7 de outubro de 2023 e foi marcado como um dia de luto nacional, e afirmou que este ano, com a ajuda de Deus, será um dia de alegria pela devolução dos reféns. Simchat Torá começa na noite de segunda-feira deste ano.
De acordo com a legislação israelense, após aprovação do acordo, há um prazo de 24 horas para petições contra o acordo serem levadas à Suprema Corte. No passado, esse prazo foi respeitado porém não impediu a execução das decisões do governo.
Prevê-se que a libertação dos reféns aconteça na segunda-feira (13). Em seguida, Israel deve libertar 250 prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua por crimes contra israelenses, além de aproximadamente 1.700 palestinos presos em Gaza, porém que não estiveram envolvidos nos ataques do Hamas em 2023.
Após essas liberações, as tropas israelenses recuarão ainda mais na Faixa de Gaza conforme as linhas de retirada negociadas com o Hamas, mantendo contudo o controle de partes do território. Os soldados permanecerão numa zona tampão interna ao enclave palestino que visa impedir aproximação da cerca divisória entre Gaza e Israel, com largura prevista entre 500 metros e 1,5 quilômetro.
Donald Trump virá a Israel possivelmente entre domingo (12) e segunda-feira para proferir um discurso no Knesset, o Parlamento israelense. Caso ocorra, Trump será o quarto presidente dos EUA a discursar no Knesset, seguido por George W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter.
Uma pesquisa divulgada pelo canal israelense i24 mostrou que 84% dos israelenses apoiam o plano de paz e que 76% consideram que Donald Trump deveria receber o Prêmio Nobel da Paz, embora o prêmio tenha sido concedido recentemente à opositora venezuelana Maria Corina Machado.
Os EUA enviarão 200 soldados para integrar uma força de estabilização em Gaza, segundo dois altos funcionários americanos. Esse contingente inicial servirá para formar um grupo maior envolvendo Egito, Catar, Turquia e possivelmente Emirados Árabes Unidos. A missão dessas tropas é garantir que não ocorram violações e atuarão em coordenação com militares egípcios, cataris, turcos e emiradenses, mantendo contato com os israelenses. Não está previsto que militares americanos entrem em Gaza.
O governo brasileiro comemorou o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, classificando-o como um passo essencial para interromper os ataques que já causaram mais de 67 mil mortes e deslocaram quase dois milhões de pessoas na Faixa de Gaza.
Segundo o Itamaraty, o cessar-fogo deve proporcionar alívio à população civil, facilitar a entrada de ajuda humanitária e criar condições para a reconstrução imediata de Gaza com apoio internacional.
O Brasil também destacou o papel mediador dos Estados Unidos, Catar, Egito e Turquia, e exortou o cumprimento do acordo, incluindo a troca dos reféns por prisioneiros palestinos.
Ainda conforme o Itamaraty, o Brasil reafirma sua posição histórica favorável à solução de dois Estados na região, com uma Palestina independente e viável convivendo lado a lado com Israel, dentro das fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital.
Em uma rara entrevista a uma emissora israelense, o presidente palestino Mahmoud Abbas declarou desejar “paz, segurança e estabilidade” entre palestinos e Israel. Abbas classificou o acordo como um momento histórico e manifestou esperança de que o banho de sangue termine e que a paz prevaleça entre as partes.
Créditos: Terra