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Laudos de bebidas suspeitas de metanol em SP não têm prazo para conclusão

A Polícia Científica de São Paulo informou que não há prazo estabelecido para a conclusão dos laudos das análises de bebidas suspeitas de conter metanol.

De acordo com Mauro Renault, diretor do Núcleo de Química do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, a demanda pelas análises aumentou devido à série de intoxicações registradas no estado.

O procedimento começa com a verificação das embalagens para detectar rompimento ou indicativo de reaproveitamento. Em seguida, os materiais são submetidos ao processamento em equipamentos que separam os componentes da bebida alcoólica.

Somente o laudo final pode confirmar a presença de metanol e sua quantidade na bebida.

Normalmente, o laudo técnico sai em até um dia, mas o aumento dos casos de suspeita elevou o volume de exames, o que impossibilita a definição de um prazo para emissão dos resultados, explicou Mauro Renault.

Até o dia 1º de outubro, seis bares e distribuidoras foram interditados e 942 garrafas apreendidas durante operações de fiscalização relacionadas aos casos de intoxicação por metanol em São Paulo.

O metanol é um álcool utilizado em solventes e produtos químicos industriais. Quando ingerido, é altamente tóxico, atacando primeiro o fígado, que converte a substância em compostos nocivos que podem atingir a medula, cérebro e nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e morte. Também pode causar insuficiência pulmonar e renal.

Após completado o processo de análise, o laudo é encaminhado à Polícia Civil, responsável pela investigação do caso.

O aumento no número de notificações suspeitas de intoxicação por metanol no estado chegou a 52 casos, incluindo mortes, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Até o momento, uma morte foi confirmada com consumo de bebida adulterada, e outras cinco estão sob investigação.

Entre as vítimas estão Rafael Anjos Martins, de 28 anos, que está em coma desde 1º de setembro após consumir gin adulterado; Radharani Domingos, de 43 anos, que perdeu a visão após beber caipirinhas feitas com vodca adulterada em São Paulo; Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, internada em estado grave após consumir vodca adulterada em São Bernardo do Campo; Wesley Pereira, de 31 anos, que sofreu diversas complicações após consumir whisky adulterado; e Marcelo Lombardi, de 45 anos, advogado e empresário que faleceu após ingerir vodca adulterada.

Esses casos evidenciam o grave risco causado pela presença de metanol em bebidas alcoólicas comercializadas irregularmente na região.

Créditos: g1

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