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09:08

Líder iraniano chama manifestantes de vândalos e critica apoio de Trump

Na manhã desta sexta-feira (9/1), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, discursou para seus apoiadores e classificou os manifestantes que tomaram as ruas do país como um “bando de vândalos” agindo para “agradar” o presidente dos EUA, Donald Trump.

O Irã enfrenta uma série de protestos em pelo menos metade de suas províncias, que já resultaram em mais de 40 mortes.

“Um bando de vândalos saiu em Teerã e em outras cidades, destruindo prédios do próprio país apenas para agradar o presidente dos EUA. Isso porque ele [Trump] fez a alegação absurda de que apoia vocês, manifestantes e pessoas que prejudicam o país. Se ele é capaz, deveria governar seu próprio país”, declarou Khamenei em um discurso transmitido pela televisão estatal.

Histórico crítico do regime iraniano, Trump ameaçou intervir caso civis sejam mortos durante os protestos.

Khamenei, no poder desde 1989, afirmou que as mãos do presidente americano “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos mortos como mártires durante a guerra de 12 dias com Israel”.

“Um grupo de pessoas inexperientes e descuidadas acredita nele e age de acordo com seus desejos. Eles ateiam fogo em lixeiras para agradá-lo”, acrescentou.

“Que todos saibam que a República Islâmica chegou ao poder pelo sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e não recuará diante daqueles que negam isso.”

Os protestos começaram em 28 de dezembro na capital Teerã, inicialmente motivados pela forte desvalorização da moeda iraniana, o rial, frente ao dólar no mercado paralelo.

A moeda atingiu uma mínima histórica no último ano e a inflação chegou a 40%, pressionada por sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano sobre uma economia já fragilizada pela má gestão e corrupção.

Nos últimos 13 dias, manifestações ocorreram em pelo menos 17 das 31 províncias do Irã, representando o maior desafio ao regime clerical desde 2022, segundo análise conjunta da BBC Verify e BBC Persa.

A análise considerou apenas protestos com imagens verificadas, então o número real pode ser maior, com relatos em outras 11 províncias.

Até terça-feira (6/1), vídeos mostravam protestos em mais de 50 cidades, inclusive em regiões antes consideradas leais ao governo.

Desde então, 16 cidades e vilas foram adicionadas ao monitoramento, com a mais recente em Zahedan, no leste, perto da fronteira com o Paquistão.

De acordo com a agência HRANA, sediada nos EUA, pelo menos 48 manifestantes e 14 membros das forças de segurança morreram desde o início dos protestos.

A ONG Iran Human Rights, na Noruega, contabilizou pelo menos 51 manifestantes mortos, incluindo nove crianças.

Com restrições severas de imprensa dentro do Irã, as redes sociais têm sido usadas para confirmar vítimas, apesar do bloqueio quase total da internet desde quinta-feira à noite.

A BBC Persa confirmou até o momento 22 mortos e suas identidades, enquanto o governo iraniano reconheceu seis mortes entre as forças de segurança.

Os protestos acontecem em um contexto de fragilidade econômica e pouca perspectiva de crescimento para o país nos próximos anos.

Na quinta-feira (8/1), Trump prometeu “atacar o Irã com muita força” se eles começarem a matar manifestantes.

“Eu já avisei que se eles matarem pessoas, como fazem em seus protestos, nós os atacaremos”, afirmou Trump em entrevista.

Ele também disse que seu governo monitora a situação e advertiu Teerã severamente de que enfrentarão um preço alto caso violem civis.

Nesta semana, o governo iraniano cortou o acesso à internet de milhões de cidadãos, dentro e fora do país, para evitar a organização dos manifestantes em massa.

Bloqueios de internet são comuns no Irã, tendo sido usados na última grande onda de protestos após a morte de Mahsa Amini em 2022.

Créditos: Reuters

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