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09:13

Líder iraniano rejeita recuo frente a protestos e acusa EUA

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta sexta-feira (9) que seu governo “não vai recuar” perante os protestos que ocorrem no país há quase duas semanas.

Em seu primeiro pronunciamento desde que as manifestações cresceram no início de 2026, Khamenei acusou os manifestantes de agir para agradar o presidente dos EUA, Donald Trump, e os chamou de “vândalos” e “sabotadores” em discurso transmitido pela TV estatal.

Os protestos começaram no fim de dezembro em Teerã motivados por uma crise econômica, com o rial argentino perdendo metade do seu valor diante do dólar em 2025 e a inflação ultrapassando 40% em dezembro. Inicialmente centrados em questões econômicas, os atos evoluíram para pedidos de renúncia de Khamenei, após repressão policial.

As manifestações são as maiores contra o governo iraniano desde 2009, com protestos em 25 das 31 províncias, e já causaram mais de 40 mortes, incluindo forças de segurança, conforme relatos de organizações de direitos humanos. O número real pode ser maior devido à restrição de informações do país.

As tensões entre EUA e Irã também aumentaram. Donald Trump declarou que não tolerará mortes de manifestantes e advertiu que o país será severamente punido caso isso ocorra. Khamenei respondeu chamando Trump de “arrogante” e acusou-o de ter as mãos manchadas com o sangue de mais de mil iranianos, referindo-se a bombardeios contra instalações nucleares em 2025.

Na quinta-feira (8), os protestos intensificaram-se depois que Khamenei ordenou um apagão na internet e na rede telefônica para conter as manifestações. A quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento até o momento, com registro de 13 mortes.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã protestaram contra o aumento de preços e a queda do rial. Com o tempo, outras demandas foram incluídas e os atos se espalharam para a maioria das províncias.

Vídeos autenticados mostram manifestantes entoando slogans contra o regime, inclusive aludindo ao retorno da dinastia Pahlavi e à destituição do líder supremo.

A ONG Netblocks informou que o Irã enfrenta um corte nacional da internet. Segundo a ONG Iran Human Rights, pelo menos 45 manifestantes, incluindo menores, morreram nos protestos. Além disso, centenas ficaram feridos e mais de 2 mil foram detidos.

Essas manifestações são as maiores desde 2022, quando ocorreram protestos após a morte de Mahsa Amini, presa por violar normas de vestuário para mulheres no país.

Créditos: G1 Globo

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