Líder Supremo do Irã chama Trump de criminoso e exige responsabilização
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, chamou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “criminoso” no sábado, 17, em razão do apoio dele aos recentes protestos antigovernamentais no Irã, conforme informou a agência de notícias estatal Tasnim.
Khamenei sugeriu que Trump é responsável pelas vítimas e danos provocados durante as manifestações contra o regime, além de estar por trás das “acusações” feitas contra a nação iraniana, segundo a Tasnim.
Durante os distúrbios, Trump incentivou os manifestantes a prosseguirem com os protestos e a “tomarem o controle” das instituições do país, afirmando que “a ajuda está a caminho”.
O líder supremo destacou que os Estados Unidos devem ser responsabilizados por essas ações, conforme relatado pela agência estatal iraniana Fars.
“Não buscamos levar o país à guerra, mas também não permitiremos que criminosos internos fiquem impunes”, ressaltou Khamenei, ainda segundo a Fars.
Ele reconheceu que a situação econômica do Irã, principal motivo dos protestos, é “desafiadora”, destacou a Tasnim.
“Os funcionários do governo precisam redobrar esforços, principalmente em áreas críticas como garantir o fornecimento de bens essenciais, ração para o gado e outras necessidades da população, trabalhando com mais determinação do que nunca”, afirmou o líder.
Os protestos contra o governo começaram no final de dezembro, representando uma das maiores ondas de agitação nacional enfrentadas pelo regime nos últimos anos.
Inicialmente, as mobilizações ocorreram nos bazares de Teerã contra a inflação alta, mas se espalharam por todo o país e se transformaram em manifestações de caráter mais geral contra o regime.
A inflação tornou-se uma preocupação crescente, com aumentos expressivos e repentinos nos preços de produtos básicos, como óleo de cozinha e frango, chegando a haver falta desses itens nas prateleiras.
A situação se agravou após o banco central suspender um programa que permitia a alguns importadores obter dólares americanos a preços mais baixos que o mercado, o que levou comerciantes a elevar preços e muitos a fechar as lojas, originando os protestos.
A decisão dos bazaaris, tradicionalmente alinhados à República Islâmica, foi particularmente significativa.
O governo reformista tentou atenuar a crise oferecendo transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas isso não foi suficiente para conter o descontentamento.
As autoridades interromperam o acesso à internet e linhas telefônicas na quinta-feira, 8, durante o auge das manifestações, deixando o Irã praticamente isolado do resto do mundo.
Organizações de direitos humanos afirmam que centenas de pessoas morreram desde o início dos protestos.
Enquanto isso, Donald Trump ameaçou atacar o Irã caso as forças de segurança respondam com violência. Em resposta, Khamenei pediu que Trump se concentre nos problemas internos dos Estados Unidos e acusou os americanos de fomentarem os protestos.
Créditos: CNN Brasil