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Lula abre 80ª Assembleia Geral da ONU em clima de tensão com EUA

Nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Conforme a tradição iniciada em 1955, o Brasil é o primeiro país a discursar, com os Estados Unidos seguindo na sequência.

Lula assume o púlpito da ONU para abrir os debates de chefes de Estado pela décima vez.

Na última segunda-feira (16), a Casa Branca anunciou a revogação de vistos da esposa e dos filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de restrições ao advogado-geral da União, Jorge Messias, e outras cinco pessoas.

Essas medidas são aplicadas no contexto da Lei Magnitsky e configuram uma retaliação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que descontentou o governo Trump.

O presidente Lula estará acompanhado por uma equipe de ministros, incluindo Mauro Vieira (Relações Exteriores), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcia Lopes (Mulheres), Jader Barbalho (Cidades), Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública).

A formação dessa equipe enfrentou dificuldades devido às restrições de vistos impostas pelos Estados Unidos.

Os discursos do presidente devem enfatizar a defesa do multilateralismo, da soberania nacional, da cooperação internacional e de uma agenda progressista focada em direitos sociais e sustentabilidade.

Pretende-se que Lula reforce a necessidade de reformas no Conselho de Segurança da ONU, ao mesmo tempo em que convoca os países a participarem ativamente do combate às mudanças climáticas, destacando a COP30, que acontecerá em Belém (PA) em novembro.

Outro tema previsto é a reafirmação da soberania nacional e do princípio da não intervenção, criticando o aumento das tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre o Brasil e outras nações. O tom do discurso poderá ser ajustado até o último momento, especialmente diante das recentes sanções aplicadas por Washington contra autoridades brasileiras.

Essa participação brasileira ocorre em meio à pior crise diplomática em mais de dois séculos de relação com os Estados Unidos. O governo Trump impôs sanções a exportações e a autoridades brasileiras, incluindo familiares de ministros do STF.

Embora Lula e Donald Trump estejam lado a lado na tribuna da ONU, não há expectativa de um encontro formal entre os dois presidentes. Assessores da Presidência informam que, no máximo, pode ocorrer um aperto de mãos, sem conversas substanciais, já que o Serviço Secreto americano controla os horários de chegada do presidente dos EUA, o que pode impedir até mesmo encontros informais nas antessalas da ONU.

Enquanto Lula concentrará seu discurso em democracia, cooperação e clima, Trump deve usar sua fala para reforçar a política de “America First”, justificando medidas unilaterais, cortes no financiamento da ONU e críticas a propostas ambientais globais.

Além disso, os EUA foram excluídos da segunda edição do evento “Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo”, organizado pelo Brasil e seus aliados, marcado para quarta-feira (24) em Nova York. Essa decisão reflete o clima de tensão nas relações entre os países.

Desde 1955, o Brasil tem a tradição de ser o primeiro país a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU, prática que se consolidou porque naquele ano o país se voluntariou para iniciar os trabalhos quando as demais nações evitavam abrir os debates. Esta tradição reforça a visibilidade internacional do Brasil no cenário diplomático.

Créditos: CNN Brasil

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