Lula celebra 3 anos dos atos de 8 de janeiro com defesa da democracia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto, uma cerimônia em referência aos três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, reunindo ministros, governadores, parlamentares e lideranças sociais.
O evento deste ano, denominado “Defesa da Democracia”, não contou com a presença dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), nem de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), diferentemente de edições anteriores.
Durante a cerimônia, Lula declarou: “O Brasil e o povo venceram”, sendo interrompido diversas vezes por aplausos e gritos de “sem anistia”.
Ele ressaltou que o dia 8 de janeiro simboliza a vitória da democracia sobre aqueles que tentaram tomar o poder pela força, afirmando que foram derrotados os que defendiam ditadura, tortura e planejavam assassinatos de autoridades, assim como os traidores da pátria que desejavam levar o Brasil de volta ao mapa da fome.
O presidente também enalteceu a atuação firme do Supremo Tribunal Federal, que, segundo ele, manteve a imparcialidade e condução correta durante os julgamentos dos envolvidos na trama golpista, incluindo generais, ex-ministros e o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por liderar uma organização criminosa contra o Estado de direito.
Lula parabenizou a Suprema Corte pela conduta durante o processo, destacando a transparência e a base sólida em provas para as condenações.
Defendendo que não seja esquecida a história, afirmou que o país rejeita qualquer forma de ditadura, seja civil ou militar, e realizou um discurso preparado, não mencionando os Estados Unidos, as sanções contra o Brasil, nem a recente agressão militar à Venezuela.
Ao final, assinou o veto integral ao Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso em 2025, que redefinia a punição para crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, beneficiando diretamente condutores condenados pelo STF, como Bolsonaro.
Embora o governo tenha evitado falar sobre a agressão militar à Venezuela, a primeira-dama Rosângela Silva compareceu ao ato usando uma camisa com a imagem da “América Invertida”, criação do artista hispano-uruguaio Joaquín Torres García, símbolo dos movimentos anti-imperialistas e da integração latino-americana.
Do lado de fora, uma grande bandeira da Venezuela foi exibida por manifestantes populares na Praça dos Três Poderes.
Ceres Hadich, dirigente nacional do Movimento Sem Terra (MST), ressaltou os riscos à soberania do Brasil e de outras nações latino-americanas diante das ameaças e agressões sofridas pelo povo venezuelano, criticando o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores.
Ela afirmou que a celebração da democracia no Brasil deve também servir de alerta e solidariedade ao povo venezuelano, defendendo a união dos países latino-americanos para fortalecer a democracia.
Em entrevista, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, do Grupo Prerrogativas, declarou em tom poético que é preciso estar sempre atento e forte diante do atual quadro da América Latina. Ele minimizou preocupações com ingerências estrangeiras no Brasil, ressaltando a importância da data para reafirmar a força das instituições nacionais.
Carvalho destacou que o Brasil, como uma das maiores democracias do mundo, dá ao mundo um recado firme de resistência contra retrocessos, com instituições sólidas e um presidente preparado para enfrentar os desafios atuais no cenário político internacional.
Créditos: Brasil de Fato