Lula critica Conselho de Paz de Trump e diz que quer ser ‘dono da ONU’
O presidente Lula (PT) criticou o Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o qual o Brasil foi convidado.
Em discurso, Lula afirmou que Trump está propondo criar uma nova ONU na qual ele, sozinho, seria o dono da organização. A iniciativa foi lançada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em um evento com pouca participação e sem a presença do Brasil.
Lula apontou que a proposta restringe ainda mais o debate global. Embora concorde com a reforma da ONU e defenda a ampliação do número de membros no Conselho de Segurança — atualmente cinco com poder de veto — a proposta dos EUA reduziria esse poder para apenas um país, os Estados Unidos.
O presidente também afirmou que “a carta da ONU está sendo rasgada” e criticou que, ao invés de corrigir a instituição com a entrada de novos países como México, Brasil e um nação africana, está acontecendo isso. Lula proferiu estas declarações em um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Bahia.
Até o momento, o governo brasileiro não havia respondido oficialmente ao convite para integrar o conselho. Interlocutores da diplomacia brasileira indicam que a decisão ainda não está definida, e que Lula e o governo demonstram pouco entusiasmo, especialmente devido à liderança dos Estados Unidos na iniciativa.
Lula tem realizado conversas com líderes internacionais esta semana para buscar uma forma de reunir esforços e impedir que o multilateralismo seja atropelado pela força e intolerância de qualquer país.
O objetivo do Conselho é tornar Gaza “desmilitarizada, bem governada e reconstruída”, conforme declarado por Trump no lançamento. Ele mencionou que 59 países estariam comprometidos com o comitê, um número superior aos 35 divulgados inicialmente pelo governo dos EUA.
A Palestina não foi convidada, enquanto Israel participou. Os Estados Unidos não reconhecem a Palestina como Estado, diferentemente da ONU e do Brasil.
Entre os signatários do documento estava Javier Milei, presidente da Argentina. O Reino Unido indicou inicialmente que não participaria, expressando preocupações sobre a presença de Vladimir Putin no grupo.
Putin, da Rússia, e Benjamin Netanyahu, de Israel, são alguns dos líderes que aceitaram participar. Outros países que concordaram incluem Catar e Egito, importantes para acordo de paz em Gaza, além de Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai e Vietnã.
Créditos: UOL