Política
18:08

Lula critica EUA em cúpula na Colômbia, mas não visita vítimas de tornado no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não realizou visita às vítimas do tornado no interior do Paraná. Em vez disso, aproveitou uma brecha em sua agenda em Belém para viajar à Colômbia, onde participou da cúpula da Celac e da União Europeia, com o objetivo de prestar solidariedade ao governo venezuelano liderado por Nicolás Maduro.

A reunião contou com representantes dos 27 países da União Europeia e das 33 nações da Celac. A presidente da União Europeia, Ursula Von der Leyen, assim como os presidentes do Uruguai, México e Argentina, não compareceram ao evento.

Lula reconheceu, em discurso, que o encontro estava bastante esvaziado, mencionando: “Nossas cúpulas se tornaram um ritual vazio, do qual se ausentam os líderes regionais”.

Especialistas apontavam que o principal motivo da ida de Lula à cúpula seria defender Maduro, embora o presidente brasileiro não tenha citado diretamente o ditador venezuelano nem o então presidente dos EUA, Donald Trump.

Sem mencionar o Brasil, onde uma grande operação policial no Rio de Janeiro resultou em 121 mortes, Lula afirmou que não existe solução mágica para a criminalidade. Segundo ele, é necessário reprimir o crime organizado, estrangular seu financiamento e eliminar o tráfico de armas.

Lula também afirmou que a ameaça do uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe, ressaltando a importância da região como uma área de paz e condenando intervenções ilegais e violações do direito internacional.

Os Estados Unidos enviaram uma esquadra ao Mar do Caribe, incluindo o maior porta-aviões do mundo, e consideram ações militares para combater o narcotráfico. Analistas veem essa pressão como possível causa para a queda de Maduro.

Durante a semana, Lula comentou ter conversado com Trump para defender que a América Latina é uma zona de paz, enfatizando que a reunião da Celac só faz sentido para discutir a presença dos navios americanos na região.

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, declarou que a posição de Lula não atrapalha as negociações comerciais entre Brasil e EUA.

No Brasil, Lula manifestou solidariedade às vítimas do tornado em Rio Bonito do Iguaçu, Paraná, ocorrido antes da viagem. O desastre causou seis mortes e deixou cerca de mil desabrigados, destruindo 90% da cidade. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi enviada ao local em sua representação.

A ida à Colômbia foi rápida, com quase nove horas de voo entre Belém e Santa Marta, onde ocorreu a cúpula. Lula permaneceu pouco mais de três horas no evento, realizando um discurso de cinco minutos.

Ainda no domingo, ele retornou a Belém para participar dos preparativos da abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece entre 10 e 21 de novembro.

A presença da ministra no município afetado foi amplamente divulgada como ação do governo de Lula, seguindo o novo slogan adotado pela comunicação da Presidência da República em agosto.

Lula expressou profundo sentimento às famílias enlutadas por meio das redes sociais.

Desde o início do ano, o governo federal investiu fortemente em publicidade digital, com um aumento superior a 100% nos gastos em publicidade online, e tem contratado influenciadores para ampliar o alcance de suas mensagens.

Na cúpula, além de negociações comerciais, como o retorno do livre comércio entre Mercosul e União Europeia, o destaque foi a escalada das tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela.

O governo americano intensificou sua presença militar no Caribe, acusando Maduro de liderar o Cartel de los Soles, considerado terrorista. A operação já destruiu embarcações usadas para transportar drogas, causando mais de 60 mortes. Trump não descarta ações terrestres na Venezuela para combater o que chama de “Al-Qaeda do Hemisfério Ocidental”.

O assessor Celso Amorim ressaltou a necessidade do Brasil defender a América do Sul como zona de paz, e Lula defendeu a resolução política dos problemas da Venezuela.

Maduro agradeceu as declarações feitas por Lula.

Em 2025, a presidência da Celac está com a Colômbia, que sucedeu Honduras, e em 2026 passará para o Uruguai. O Brasil retornou à cúpula em janeiro de 2023, após três anos de ausência.

Créditos: Gazeta do Povo

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