Lula defende acordo Mercosul-UE e critica intervenções militares na América Latina
Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste domingo (9) intervenções militares em países da América Latina e do Caribe, afirmando que velhas manobras retóricas são usadas para justificar ações ilegais.
Os governos dos Estados Unidos e da Venezuela trocaram ameaças após o aumento dos ataques militares norte-americanos a embarcações na região do Caribe. Os americanos alegam que os ataques fazem parte do combate ao narcotráfico e deslocaram um grande contingente militar para a área. O ex-presidente Donald Trump já afirmou que o regime de Maduro está “com os dias contados” e não descartou ações terrestres.
Por sua vez, o governo de Nicolás Maduro acusa os EUA de agir para desestabilizar o regime, inclusive com envolvimento da CIA, e acusa Trump de “fabricar” uma nova guerra.
Lula disse, em entrevista recente, que já discutiu o tema com Trump, ressaltando que a América Latina é uma região de paz onde não proliferam armas nucleares. Ele ressaltou que votou a favor da proibição da proliferação de armas atômicas e nucleares no Brasil.
Além disso, o presidente defendeu que o Mercosul e a União Europeia aproveitem a próxima cúpula do bloco sul-americano, em dezembro, para firmar um acordo comercial baseado em regras e em resposta ao unilateralismo. Segundo ele, essa iniciativa possibilitará formar um mercado de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de 22 trilhões de dólares.
No seu discurso durante a 4ª Cúpula CELAC-UE, realizada em Santa Marta, Colômbia, Lula destacou também a importância da integração entre os países para enfrentar organizações criminosas, propondo intercâmbio de informações e operações conjuntas.
Segundo o presidente, o combate ao crime organizado exige repressão às lideranças, estrangulamento do financiamento e o rastreamento e eliminação do tráfico de armas, ressaltando o alcance transnacional dessas organizações e a necessidade da cooperação internacional.
Ainda sem nomear países, Lula falou sobre a crescente intolerância que impede o diálogo entre diferentes opiniões, e mencionou ameaças do extremismo político, manipulação da informação e crime organizado. Ele afirmou que projetos pessoais de apego ao poder enfraquecem a democracia e que conflitos ideológicos têm se sobreposto à vocação para cooperação.
Sobre a COP 30, Lula afirmou que o evento é uma oportunidade para América Latina e Caribe mostrarem ao mundo que conservar as florestas é cuidar do futuro do planeta. Ele também afirmou que a transição energética é inevitável e que a região pode acelerar a redução da dependência de combustíveis fósseis, sendo fonte segura de energia limpa.
Créditos: g1