Lula demite Márcio Macêdo e nomeia Guilherme Boulos na Secretaria-Geral
O presidente Lula anunciou a demissão de Márcio Macêdo da Secretaria-Geral da Presidência, substituindo-o por Guilherme Boulos. Lula já havia indicado a mudança após criticar Macêdo por falta de ação efetiva e desorganização.
Em eventos anteriores, como o Natal dos Catadores e o Dia do Trabalho, Lula cobrou maior empenho do ministro, demonstrando insatisfação com sua gestão.
Márcio Macêdo foi oficialmente substituído pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que assume a Secretaria-Geral com a missão de aproximar os movimentos sociais do governo, especialmente focando na disputa eleitoral de 2026.
Ainda como deputado, Boulos esteve no Palácio do Planalto nesta segunda-feira para o lançamento do programa Reforma Casa Brasil, que visa facilitar acesso a crédito para reformas habitacionais. Depois, retornou ao Planalto no início da noite a convite de Lula.
A troca reforça a estratégia de Lula de manter à frente da Secretaria-Geral uma pessoa com ligação direta e capacidade de mobilização junto aos movimentos sociais e à sociedade civil, papel fundamental para o contexto eleitoral do próximo ano. Guilherme Boulos iniciou sua carreira política como líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
O novo ministro deverá ter participação nas negociações sobre a criação de regras para trabalhadores de aplicativos, tanto de entregas quanto de transporte, cumprimento de uma promessa eleitoral feita por Lula em 2022 que ainda não se concretizou.
A previsão é que Boulos permaneça no cargo até o fim do terceiro mandato de Lula, em dezembro de 2026, não disputando as eleições daquele ano. Com isso, o PSOL deverá buscar outro candidato em São Paulo para manter seu espaço no Congresso.
Lula e Boulos têm uma relação pessoal próxima. Nas eleições municipais de 2024, Lula se empenhou significativamente na campanha de Boulos, incluindo a escolha de Marta Suplicy como vice, a liberação de recursos do fundo eleitoral do PT e gravação de propaganda eleitoral em sua casa.
Em abril, Lula sondou Boulos sobre a possibilidade de assumir a Secretaria-Geral, perguntando se ele abriria mão de disputar a eleição para se dedicar ao cargo até o fim do mandato presidencial. O deputado tem indicado a aliados que poderá aceitar este desafio.
No mês anterior, Lula já havia sinalizado a aliados a troca na Secretaria-Geral, o que levou Macêdo a considerar as especulações como “fogo amigo”. Na ocasião, o ministro afirmou não se abalar com rumores e que o presidente nunca discutiu o assunto com ele.
Durante sua gestão, Macêdo foi alvo de críticas públicas de Lula em diversas ocasiões. Por exemplo, em dezembro de 2023, no evento Natal dos Catadores, Lula pediu menos discurso e mais resultados do ministro, cobrando uma pauta de reivindicações pelos catadores.
Em maio de 2024, Lula criticou o esforço insuficiente para mobilizar manifestantes para o ato do Dia do Trabalho convocado pelas centrais sindicais, apontando o ato como mal convocado e pouco participado.
Macêdo também enfrentou resistência dentro do próprio PT e críticas do Palácio do Planalto por ter uma atuação considerada apagada em uma secretaria tradicionalmente estratégica para articulação e formulação de políticas.
Sob gestões anteriores de Lula, a Secretaria-Geral foi ocupada por nomes como Luiz Dulci, aliado histórico e um dos fundadores do PT, que tiveram papel de destaque.
Aliados presidenciais avaliaram que Lula se distanciou de Macêdo, que teve poucas agendas com o presidente e pouco protagonismo na pasta.
A substituição de Macêdo por Boulos é vista como um movimento para fortalecer a base aliada de Lula com foco nas eleições de 2026.
Márcio Macêdo é considerado um quadro importante da burocracia petista, tendo conquistado confiança de Lula ao organizar caravanas antes da prisão do presidente em 2018. Também foi tesoureiro do PT e responsável pelas finanças da campanha de 2022, aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Créditos: O Globo