Política
20:29

Lula diz que Trump está mal-informado sobre Brasil e quer explicar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quarta-feira (24.set.2025) que acredita que as decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil foram baseadas em informações incorretas que ele recebeu. Lula revelou seu interesse em se encontrar com Trump para esclarecer esses pontos, dizendo que o americano está “mal-informado”. Para ele, o respeito mútuo deve prevalecer, evitando desentendimentos entre dois homens na faixa dos 80 anos.

Durante entrevista em Nova York, Lula disse que acredita que Trump recebeu informações erradas sobre o Brasil, o que pode ter influenciado decisões inaceitáveis em uma relação diplomática de mais de 200 anos. Ele espera que, após uma reunião, a relação entre Brasil e EUA se normalize e voltem a uma convivência harmoniosa.

O presidente não especificou quais informações Trump teria errado. Seis jornalistas, três brasileiros e três estrangeiros, puderam fazer perguntas via sorteio, mas nenhuma quis questionar Lula sobre esse ponto. O Poder360, presente no evento, não foi sorteado.

Lula destacou que o encontro interessa a sociedade, empresários e políticos devido aos muitos investimentos em jogo. Ele contestou informações sobre déficit comercial dos EUA com o Brasil, afirmando que o superávit americano na última década e meia chegou a US$ 410 bilhões. Lula espera que em uma conversa com Trump e seus assessores possam restabelecer a harmonia necessária.

O governo brasileiro rebate as críticas de Trump sobre a relação comercial, alegando superávit dos EUA. Trump tem afirmado que as tarifas brasileiras são maiores que as norte-americanas. Por exemplo, os EUA cobram tarifa de 2,5% sobre etanol brasileiro, enquanto o Brasil cobra 20% sobre o etanol americano. Segundo dados da USTR, equalizar essas tarifas poderia aumentar em cerca de R$ 3 bilhões por ano as vendas americanas para o Brasil.

Membros do governo reclamam da falta de contato direto com a alta administração de Trump desde que sanções foram impostas ao Brasil por causa do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Paulo Figueiredo têm atuado como interlocutores junto à Casa Branca.

Lula enfatizou que os dois países devem respeitar a soberania eleitoral alheia, afirmando que não se intrometerá nas eleições americanas assim como Trump não deve interferir nas brasileiras. Em 2024, Lula declarou apoio público a Kamala Harris, então vice-presidente, por considerar que sua vitória seria mais segura para a democracia dos EUA, e qualificou uma possível vitória de Trump como o retorno do “nazismo e fascismo com outra cara”.

O possível encontro entre Lula e Trump foi anunciado pelo próprio republicano na abertura da Assembleia Geral da ONU, onde o republicano esperou para cumprimentá-lo. O encontro durou poucos segundos e Trump declarou uma “química excelente” entre os dois.

Lula disse ter sido surpreendido ao encontrar Trump na antessala do plenário da ONU, algo que não acontecera em outras oportunidades. Segundo ele, isso tornou possível algo que parecia improvável e foi uma boa surpresa.

Diplomatas brasileiros viram a conversa e o anúncio público de Trump como vitória do petista e uma abertura de “boa fresta” para o diálogo. Lula afirmou não saber ainda como e quando será o encontro, que pode ser presencial, e que até o momento não houve reuniões preparatórias entre autoridades dos dois países.

Após quatro dias em Nova York participando da Assembleia Geral da ONU e eventos relacionados ao clima, democracia e a questão palestina, Lula retornou ao Brasil na quarta-feira.

Questionado sobre temores de constrangimento na conversa com Trump, como ocorreu em encontros do norte-americano com presidentes da Ucrânia e África do Sul, Lula descartou essa possibilidade, destacando que haverá respeito mútuo e uma conversa civilizada entre dois homens idosos.

Sobre as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, Lula afirmou que é direito de Trump proteger o trabalhador americano, mas defendeu que essas negociações ocorram na Organização Mundial do Comércio para fortalecer o multilateralismo.

Créditos: Poder360

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