Internacional
11:04

Lula e Trump abrem Assembleia da ONU com discursos antagônicos

O presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, serão os primeiros líderes a discursar na Assembleia Geral da ONU hoje, em um contexto de crise inédita entre Brasil e EUA.

Lula deve enfatizar o multilateralismo, buscando maior união para questões climáticas e soluções para conflitos bélicos atuais. Por outro lado, Trump deve destacar o papel dos EUA no cenário mundial, criticar a agenda sustentável e defender Israel no conflito da Faixa de Gaza.

Mesmo sem citações diretas, o discurso de Lula deve ter os Estados Unidos como principal alvo, especialmente quanto à defesa do multilateralismo econômico. Ele deve criticar a imposição unilateral de tarifas pelos EUA, que afetaram o Brasil com sanções diversas.

Menos de 24 horas após o anúncio de novas sanções, Lula deve manifestar sua insatisfação perante o que considera uma intervenção na soberania nacional. Ele tem chamado o “tarifaço” americano de “chantagem econômica” e pretende levar à Assembleia um discurso patriótico reforçado internamente.

Essa tensão entre os países é inédita ao longo dos 201 anos de relações bilaterais e dos 80 anos das Assembleias da ONU, com divergências marcantes entre seus chefes de Estado.

Desde as primeiras sanções, o governo brasileiro tentou negociar com os EUA sem sucesso. As conversas ocorreram apenas entre o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e Trump, sem abertura para interlocução, o que causou irritação em Lula e em sua equipe.

Ontem, o Itamaraty reagiu com firmeza às novas sanções, que incluíram aplicação da Lei Magnitsky contra integrantes do governo e a esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Em comunicado, o governo repudiou o anúncio com “profunda indignação” e afirmou que “o Brasil não se curvará a mais essa agressão”. Espera-se que o discurso de Lula siga essa linha.

Conforme a tradição, o Brasil é o primeiro a discursar, seguido pelos EUA. Antes deles, o diretor-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, abrem a sessão.

Um provável encontro entre Trump e Lula pode ocorrer nos bastidores, mas membros do governo brasileiro demonstram pouca expectativa para esse contato, já que os dois não se reúnem desde janeiro, quando Trump assumiu.

Lula também deve abordar a COP30 na Amazônia, destacando o evento marcado para novembro em Belém como a “COP da verdade”, com críticas aos países ricos. Trump, que retirou os EUA do Acordo de Paris, indicou que não participará da reunião. Lula afirma ter enviado o convite.

Além disso, Lula deve defender o Sul Global e, alinhado a parceiros do Brics, como China e Índia, pleitear maior financiamento para países em desenvolvimento, maior participação nas decisões internacionais e ampliar as cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU. Trump deverá questionar a organização por outros motivos.

Antes da sua fala, Lula terá um breve encontro com António Guterres na sede da ONU, minutos antes da abertura da sessão.

Créditos: UOL

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