Lula e Trump apresentam visões divergentes na ONU sobre crises globais
Não surpreende que os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos tenham perspectivas distintas sobre o mundo, evidenciadas em seus discursos na abertura da Assembleia-Geral da ONU.
Donald Trump adotou um tom sombrio ao mencionar grandes crises atuais, apontando migração descontrolada e custo elevado das energias renováveis como ameaças que podem destruir sociedades e o mundo livre.
Para Trump, a Guerra da Ucrânia é um conflito “que nunca deveria ter ocorrido” e os EUA estão dispostos a agir mais duramente contra a Rússia, desde que a Europa cesse o consumo de energia russa. Ele destacou China e Índia como principais financiadores da guerra, cenário que justifica medidas rigorosas contra esses riscos.
Lula, por sua vez, defendeu o combate ao autoritarismo, à desigualdade, à devastação ambiental e à crise climática. Criticou a militarização solicitada por Trump, ressaltando que armas nucleares e bombas não resolvem a crise climática, e enfatizou a importância da COP30 em Belém.
Ao mencionar os conflitos mundiais, Lula denunciou o abandono dos princípios das Nações Unidas e defendeu reformas institucionais e soluções multilaterais. Trump também criticou a ONU, considerando-a ineficiente e prejudicial, defendendo o unilateralismo como solução.
Ambos os discursos, como esperado, refletiram prioridades de seus governos, focando tanto em suas audiências internas quanto em mensagens globais.
O discurso de Lula incluiu críticas indiretas à administração americana, chamando suas ações de ilegais, tarifárias e unilateralistas, sugerindo cumplicidade com crimes em Gaza. Ele denunciou erosão do sistema multilateral de comércio e recebeu aplausos ao mencionar democracia e soberania.
Trump respondeu a Lula sem o tom ácido dado ao Irã e à Venezuela, mas ressaltou violações de direitos humanos no Brasil e atribuiu as tarifas ao suposto esforço brasileiro de interferir em direitos e liberdades dos americanos, acusando censura e corrupção judicial.
Assim, a oposição entre Lula e Trump expõe narrativas concorrentes sobre direito e política internacional: multilateralismo e urgência climática versus unilateralismo e controle migratório.
Trump terminou seu discurso com otimismo quanto ao encontro com Lula na semana seguinte, sinalizando esperança em encontrar soluções para tensões bilaterais. O potencial para reduzir esses conflitos existe, mas permanece incerta qual visão prevalecerá.
Créditos: Folha