Economia
18:09

Macron anuncia voto contra acordo UE-Mercosul e reforça resistência na França

O presidente francês Emmanuel Macron declarou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Ele informou que essa posição será apresentada na reunião dos embaixadores do bloco europeu, prevista para o dia seguinte, e que já comunicou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Macron confirma a França como principal país resistente ao avanço do tratado, junto com Irlanda, Hungria e Polônia. Embora a Itália tenha ameaçado oposição, recentemente indicou apoio ao acordo, desde que demandas do setor agrícola sejam atendidas.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, afetando, além do agronegócio, vários setores industriais.

O Itamaraty não comentou a declaração do presidente francês.

No mês anterior, Macron condicionou seu apoio à inclusão de salvaguardas para proteger o setor agrícola francês e declarou oposição a qualquer aceleração ou imposição na aprovação do pacto.

Produtores rurais franceses vêem o acordo como uma ameaça devido à concorrência dos produtos latino-americanos considerados mais baratos e produzidos com padrões ambientais diferentes da União Europeia.

Como resposta, o governo francês suspendeu temporariamente, por um ano, as importações de alguns produtos agrícolas da América do Sul tratados com agrotóxicos proibidos no bloco europeu, medida que aguarda aval da Comissão Europeia.

Apesar disso, agricultores organizaram protestos em Paris contra o acordo comercial em discussão entre a União Europeia e o Mercosul, enquanto continuam as negociações com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Após mais de 20 anos de negociações, o acordo pode chegar à fase final na União Europeia, e o Conselho do bloco se reúne na sexta-feira (9) para decidir a autorização da aprovação. A expectativa é que a Comissão Europeia reúna o apoio da maioria dos 27 Estados-membros.

Caso seja aprovado, Ursula von der Leyen poderá assinar formalmente o acordo no dia 12 em Paraguai, criando a maior área de livre comércio do mundo.

No debate, Alemanha e Espanha apoiam firmemente o avanço, argumentando que o pacto ajudará a mitigar tarifas dos EUA e reduzirá dependência da China, além de ampliar o acesso a minerais estratégicos e novos mercados.

A expectativa de voto favorável da Itália também é parte do cálculo da Comissão Europeia para viabilizar a assinatura. O governo italiano indicou abertura ao acordo, condicionado à proteção do setor agrícola.

O ministro da Agricultura italiano informou que a União Europeia considerou aumentar os recursos para a agricultura italiana entre 2028 e 2034.

Com apoio declarado de Alemanha e Espanha, a Comissão precisa de pelo menos 15 Estados-membros representando 65% da população para autorizar a assinatura.

Além do agronegócio, o tratado contempla regras para indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, justificando o respaldo de vários setores econômicos.

Créditos: g1

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