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Maduro critica autorizações de Trump para operações secretas da CIA na Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, criticou nesta quarta-feira (15) os “golpes de Estado da CIA” após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que autorizou operações secretas da agência de inteligência americana no país sul-americano.

O jornal The New York Times revelou que o governo dos EUA havia dado autorização para ações da Agência Central de Inteligência (CIA) na Venezuela, incluindo “operações letais”. Os alvos dessas operações poderiam ser Maduro e membros do governo venezuelano.

Trump confirmou ter dado essas autorizações para missões na Venezuela, mas evitou responder se os agentes receberam permissão para eliminar Nicolás Maduro.

Em discurso na noite de quarta-feira, Maduro rejeitou qualquer tentativa de intervenção na Venezuela e criticou opositores que, segundo ele, se refugiam fora do país e pedem aos Estados Unidos que ataquem a Venezuela. Também censurou as ameaças e a guerra psicológica feitas pelos EUA.

“É uma covardia se esconder em Miami e pedir para bombardear ou atacar militarmente uma pátria de gente que só trabalha e vive em paz, como a Venezuela”, declarou.

O Ministério das Relações Exteriores venezuelano classificou as declarações de Trump como “belicistas e extravagantes” e denunciou políticas de “agressão, ameaça e assédio” por parte dos norte-americanos. A nota oficial acusa essas manobras de buscar legitimar uma operação de “mudança de regime” com a intenção de controlar os recursos petrolíferos do país.

Desde o mês anterior, segundo a imprensa dos EUA, o governo Trump considera uma operação militar que pode incluir ataques à Venezuela, com alvos possivelmente ligados a cartéis de drogas. O objetivo declarado seria a saída de Maduro do poder.

Em agosto, o Departamento de Justiça dos EUA ofereceu uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levem à prisão de Maduro. No mesmo mês, o governo norte-americano enviou navios e aeronaves militares para o Caribe, próximos à costa venezuelana, afirmando que a missão combate o tráfico internacional de drogas.

Desde setembro, os EUA têm bombardeado embarcações que, segundo eles, pertencem a grupos narcoterroristas envolvidos no transporte de drogas para os Estados Unidos. O bombardeio mais recente ocorreu em 14 de outubro, quando uma embarcação em águas internacionais próximo à costa venezuelana foi atingida, resultando em seis mortes, conforme anunciou Trump.

O presidente americano justificou os ataques alegando que a inteligência confirmou que o barco traficava drogas e estava vinculado a redes narcoterroristas transitando por rotas conhecidas de organizações terroristas.

Essas ações receberam críticas de entidades internacionais. A Human Rights Watch qualificou os bombardeios como violações do direito internacional, caracterizando-os como “execuções extrajudiciais ilegais”.

O Conselho de Segurança da ONU discutiu o tema em 10 de outubro, expressando preocupação com as mortes de civis sem julgamento e o risco de escalada militar na região.

O governo venezuelano pediu à comunidade internacional que investigue os ataques, afirmando que as vítimas, que os EUA chamam de narcotraficantes, eram na verdade pescadores.

Especialistas consultados pelo g1 consideram que o equipamento militar enviado pelos EUA ao sul do Caribe não é compatível com uma operação contra o tráfico de drogas. O cientista Carlos Gustavo Poggio, professor no Berea College, diz que o tipo de armamento não corresponde a ações de combate a cartéis.

Maurício Santoro, doutor em Ciência Política e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, avalia que os EUA podem estar se preparando para uma intervenção militar na Venezuela. Ele compara a situação à mobilização americana no Irã alguns meses antes.

Segundo Santoro, o volume de recursos militares transferidos para a região indica o empenho sério dos EUA no assunto.

Em resumo, as autorizações de Trump para ações secretas da CIA na Venezuela provocaram reações duras do governo venezuelano, preocupação internacional, e mantêm em alerta a comunidade global para possíveis desdobramentos na área.

Créditos: g1

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