Internacional
18:11

Maduro é levado a tribunal em Nova York após ser preso nos EUA

O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), foi retirado na manhã desta segunda-feira (5 de janeiro de 2026) da prisão em Nova York, nos Estados Unidos, e conduzido a um tribunal da cidade. A audiência foi marcada para as 12h no horário local de Nova York (14h em Brasília). Maduro participou do transporte de helicóptero e, posteriormente, foi transferido para um veículo. Ele estava acompanhado por vários agentes e aparentava mancar ao sair do helicóptero. Sua esposa, Cilia Flores, também foi levada ao tribunal.

O juiz distrital Alvin Hellerstein conduziu a audiência inicial, que envolveu a leitura formal das acusações, esclarecimentos sobre os direitos do réu e definições sobre a custódia. A prisão ocorreu dois dias após a captura de Maduro pelas forças norte-americanas, sob o governo do então presidente Donald Trump (Partido Republicano). Maduro é acusado de narcoterrorismo, tráfico de cocaína para os EUA e crimes relacionados a armas.

Desde a captura em Caracas no sábado (3 de janeiro), Maduro estava no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn. Ele e sua esposa foram inicialmente transportados em veículos separados sob escolta de agentes de segurança. Em seguida, ambos seguiram de helicóptero para Manhattan e foram levados em um comboio de veículos oficiais até o tribunal federal de Manhattan.

Maduro estava vestido com um macacão marrom e sapatos laranja durante a transferência.

O presidente dos Estados Unidos na época, Donald Trump, anunciou em sua rede social Truth Social no sábado (3 de janeiro) que os EUA realizaram uma operação militar na Venezuela, na qual capturaram Maduro e Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, informou que Trump autorizou a captura na noite de sexta-feira (2 de janeiro). A operação ocorreu na madrugada de sábado (3 de janeiro) e contou com ataques a quatro alvos na Venezuela com a participação de 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes locais e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Tropas foram transportadas por helicópteros militares dos EUA para Caracas, capital venezuelana, e a missão durou cerca de duas horas e vinte minutos.

Há controvérsias sobre a realização da operação militar norte-americana em solo estrangeiro sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Trump declarou que essa aprovação seria desnecessária. Também existem dúvidas sobre o cumprimento das leis dos EUA, já que a operação deveria ter sido aprovada previamente pelo Congresso, o que, segundo o secretário de Estado Marco Rubio, não foi possível devido à falta de comunicação prévia com os congressistas.

Ainda é incerto se houve mortos ou feridos durante a ação. Autoridades venezuelanas ainda não divulgaram dados, embora tenham informado que civis morreram. Um oficial dos EUA afirmou que não houve baixas entre as tropas americanas, sem informar sobre vítimas venezuelanas.

No sábado, Trump declarou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração da Venezuela até que uma transição política fosse estabelecida, sem detalhar os procedimentos, concentrando-se em comentários sobre a exploração e venda de petróleo venezuelano.

Conforme a Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com ela e que ela teria manifestado disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Já a líder da oposição, María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, segundo Trump, não teria apoio político suficiente para governar o país.

Em pronunciamento ao vivo na tarde de sábado (3 de janeiro), Delcy Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a operação dos EUA como uma violação da soberania da Venezuela e afirmou que Maduro permanece como presidente legítimo.

Ela também disse que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo dos EUA desde que seja baseada no direito internacional, enfatizando que “não seremos colônia de nenhum outro país”.

Créditos: Poder360

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