Manifestações contra PEC da Blindagem assustam aliados de Bolsonaro
Aliados de Jair Bolsonaro, tanto no Congresso quanto fora dele, demonstraram preocupação reservada com a grande mobilização nas manifestações contra a PEC da Blindagem e a anistia realizadas em diversas cidades brasileiras no domingo (21).
O projeto, aprovado na Câmara, dificulta a abertura de ações penais contra parlamentares, representando um retrocesso de mais de 20 anos na legislação.
O que mais impressionou os bolsonaristas foi a manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, onde milhares de pessoas foram às ruas. Eles ressaltaram que a imagem é semelhante aos atos de apoio ao ex-presidente organizados pela direita, o que preocupa pois contrapõe o argumento de que a esquerda não teria capacidade de mobilização.
Aliados de Bolsonaro avaliam que, com a aplicação da PEC da Blindagem, os parlamentares do PL que votaram amplamente pela aprovação estão entregando para a esquerda e o governo Lula a pauta anticorrupção, que até então se acreditava ser monopólio desses aliados.
Segundo dados do Monitor do Debate Político da USP, o ato na Avenida Paulista reuniu 42.379 pessoas e visualmente ocupou cerca de três quarteirões da avenida à tarde. Esse número é próximo ao último ato bolsonarista no local, realizado em 7 de setembro, que mobilizou cerca de 42,2 mil pessoas e foi considerado um sucesso pelos apoiadores do ex-presidente.
A rápida aprovação, na Câmara dos Deputados, da urgência do projeto de anistia para os envolvidos no 8 de janeiro — que também beneficiaria Bolsonaro — foi alvo de críticas entre seus aliados, que veem dificuldades para o avanço dessa pauta diante das mobilizações populares daquele domingo.
Do lado do governo Lula, integrantes comemoraram o resultado das manifestações, como o advogado-geral da União, Jorge Messias, que destacou nas redes sociais a força da democracia brasileira, destacando o papel das ruas na defesa das conquistas democráticas, e reforçou o compromisso com a esperança e a construção contínua da democracia.
Créditos: O Globo