Marinha de Israel intercepta flotilha com ativistas, inclusive Greta Thunberg, rumo a Gaza
A Marinha de Israel anunciou nesta quarta-feira (1º/10) ter interceptado diversos barcos que transportavam ajuda humanitária para Gaza, detendo os ativistas que estavam a bordo, entre eles a sueca Greta Thunberg. O governo israelense afirmou que Thunberg e os demais detidos estão “seguros e saudáveis”.
Pelo menos 10 brasileiros e um argentino residente no Brasil fazem parte das pessoas detidas, conforme informado pela agência Brasil. Entre os brasileiros, estão o ativista Thiago Ávila e a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE).
A flotilha é composta por cerca de 50 embarcações que tentam romper o bloqueio naval de Gaza, levando suprimentos como alimentos, água potável, medicamentos e brinquedos.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel comunicou que várias embarcações da Flotilha Global Sumud (GSF) foram “paradas com segurança” e que os ocupantes estão sendo levados para um porto em Israel.
Imagens divulgadas pelo ministério mostram Thunberg sentada no convés de um barco, recebendo água e um casaco de um militar israelense.
Vídeos transmitidos ao vivo indicam que nem todas as 44 embarcações foram abordadas e evacuadas. A GSF informou que barcos como Alma, Surius e Adara foram interceptados e abordados.
A Marinha de Israel teria orientado as embarcações a alterarem o percurso, pois estavam “se aproximando de uma zona de combate ativa” e “violando um bloqueio naval legal” próximo a Gaza, embora não tenha sido confirmado se os barcos entraram nessa área.
A GSF qualificou a interceptação como “ilegal” e “um ato descarado de desespero”, alegando que um dos barcos foi atingido intencionalmente e que outros foram alvejados por canhões de água.
O grupo afirmou que o objetivo da missão civil pacífica é levar ajuda humanitária, e que um eventual sucesso prejudicaria a ofensiva israelense.
Eles esperavam alcançar Gaza na manhã de quinta-feira (2).
O perfil de Thiago Ávila no Instagram afirmou que o barco Alma foi detido por Israel, que as embarcações foram abordadas ilegalmente, as câmeras desligadas, e que a segurança dos participantes está sendo verificada.
Além disso, países como Grécia, Itália, Tunísia e Turquia manifestaram protesto contra a ação israelense.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, respondeu à interceptação expulsando os diplomatas israelenses remanescentes em seu país, denunciando o ato como “crime internacional cometido por Netanyahu” e rescindindo o acordo de livre comércio entre Colômbia e Israel vigente desde 2020. Ele também solicitou a liberação de dois colombianos que estavam na flotilha.
O vice-primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, expressou preocupação com os relatos e desejou que Israel respeite o direito internacional. Entre os detidos há ao menos sete cidadãos irlandeses, incluindo o senador Chris Andrews.
Israel já havia bloqueado tentativas anteriores de ativistas de entregar ajuda humanitária por mar a Gaza, em junho e julho.
Enquanto o governo israelense classificou a flotilha como um “iate para selfies”, Thunberg afirmou à BBC no domingo (28/9) que não acredita que alguém arriscaria a vida por uma campanha publicitária.
Agências humanitárias tentam levar alimentos e remédios a Gaza, mas dizem que Israel restringe as entregas, argumentando que a medida visa impedir que suprimentos caiam nas mãos do Hamas.
Israel e os Estados Unidos apoiam um sistema alternativo de distribuição, a Fundação Humanitária de Gaza, que não tem cooperação das Nações Unidas, que considera sua estrutura antiética.
Um grupo apoiado pela ONU confirmou no mês passado que a população de Gaza enfrenta fome.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, declarou que o país trabalhou para garantir que qualquer abordagem à flotilha ocorresse sob as melhores condições de segurança possíveis.
O ministro das Relações Exteriores da Itália afirmou ter sido assegurado por Israel que não haverá violência contra as 500 pessoas a bordo, incluindo políticos franceses e italianos.
Israel intensifica ataques na Cidade de Gaza enquanto o Hamas avalia a resposta a um novo plano dos EUA para encerrar o conflito. Mediadores árabes e turcos pressionam o Hamas, mas um líder do grupo indica que o plano será provavelmente rejeitado.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, emitiu um aviso final para os palestinos na Cidade de Gaza evacuarem para o sul, alertando que os que permanecerem seriam considerados “terroristas e apoiadores do terror”.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que, conforme o direito internacional humanitário, civis devem ser protegidos independentemente de sua decisão de permanecer ou evacuar Gaza.
Créditos: BBC