Opinião
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Massacre em praia australiana evidencia globalização do antissemitismo

Durante a recente guerra em Gaza, um dos slogans dos movimentos que se diziam a favor da causa palestina foi “globalizem a intifada”. Intifada é o nome dado aos levantes palestinos contra Israel, que incluíram atentados terroristas contra civis; portanto, “globalizar a intifada” significa estender a reação violenta contra Israel para todo o mundo. Nesse contexto, os judeus tornaram-se alvos claros desse discurso de ódio, refletido no aumento dos casos de antissemitismo.

O ápice dessa violência ocorreu em um ataque a judeus durante uma cerimônia religiosa na Austrália no último final de semana, que infelizmente demonstrou que judeus não estão seguros em qualquer parte do globo.

O ataque resultou em 16 mortos, entre eles uma criança de 10 anos e um sobrevivente do Holocausto, em uma praia australiana famosa por receber turistas, moradores locais e surfistas. Além disso, dezenas ficaram feridos.

Os suspeitos, um homem e seu filho, abriram fogo contra a multidão reunida na praia de Bondi para celebrar o primeiro dia do Chanuká, festa judaica também chamada de Festival das Luzes, que lembra a resistência do povo judeu diante da perseguição.

A tragédia não foi maior graças a Ahmed al-Ahmed, um homem de origem síria que se arriscou para desarmar um dos atiradores.

Enquanto Ahmed foi reconhecido como herói, informações sobre os agressores ainda são reveladas. O pai, que possuía licença para armas, foi morto pela polícia; já o filho, nascido na Austrália, havia sido investigado por suposta ligação com extremismo.

Diante do pior ataque do tipo na Austrália em quase três décadas, autoridades locais prometem restringir ainda mais o acesso a armas, que já é rigoroso. Contudo, o principal problema identificado não é a questão das armas, mas o crescimento do antissemitismo, que agora causa tragédias até em locais pacíficos como aquela praia famosa.

Ainda não se sabe se o massacre tem conexão direta com a guerra em Gaza ou com os movimentos pró-Palestina e anti-Israel, mas o incentivo à “globalização da intifada” nunca foi claramente condenado por importantes líderes mundiais, especialmente da esquerda.

Recentemente, o prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, do Partido Democrata, negou-se a condenar explicitamente esse apelo à violência durante sua campanha. Deborah Lipstadt, historiadora do Holocausto e colaboradora do governo Joe Biden no combate ao antissemitismo, afirmou que a falta de condenação clara facilita o pensamento que levou ao massacre em Bondi.

Assim, é fundamental que as autoridades, independentemente do partido, rejeitem de forma clara discursos que deslegitimam Israel e expõem judeus à violência.

Créditos: Estadão

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