Internacional
15:09

Membros mascarados do Hamas executam grupo em Gaza após cessar-fogo

Conflitos violentos ocorreram entre o Hamas e grupos rivais em diversas regiões de Gaza, incluindo um episódio que resultou em uma execução pública aparente, elevando as preocupações sobre a segurança após a retirada de Israel de partes do território.

Vídeos amplamente divulgados nas redes sociais mostram combatentes mascarados, alguns usando faixas verdes associadas ao Hamas, assassinando oito pessoas vendadas em uma praça na Cidade de Gaza, enquanto multidões assistem. Esse episódio pode indicar a brutalidade empregada pelo Hamas para reafirmar seu papel como autoridade de segurança.

A CNN verificou que as imagens foram captadas no bairro de Al Sabra, no oeste da Cidade de Gaza, mas não conseguiu confirmar a data exata do incidente.

Acredita-se que o evento tenha ocorrido depois que o cessar-fogo entre Israel e Hamas entrou em vigor, visto que as tropas israelenses ainda estavam operando na área anteriormente. Os danos aos prédios visíveis no vídeo indicam que ele é recente.

Os detidos, aparentemente todos homens adultos, foram arrastados até a praça com as mãos amarradas nas costas; alguns estavam parcialmente despidos e descalços. Alguns combatentes espancaram violentamente prisioneiros alinhados para execução e comemoraram após os tiros.

O Centro Al-Mezan, uma ONG palestina de direitos humanos, classificou o episódio como uma “execução extrajudicial de cidadãos” e solicitou investigação e responsabilização dos envolvidos.

A força de segurança Radaa, ligada ao Hamas, afirmou em comunicado que “realizou uma operação precisa no centro da Cidade de Gaza, neutralizando vários indivíduos procurados e foragidos”, sem apresentar evidências.

Segundo a Radaa, a força assumiu o controle de posições na cidade e efetuou prisões de pessoas envolvidas em tiroteios, assassinatos de deslocados e ataques a civis.

A CNN não pôde confirmar a identidade dos combatentes ou dos prisioneiros, mas o vídeo surgiu depois de vários relatos de confrontos entre membros do Hamas e a família Doghmush, um clã influente em al Sabra.

Canais no Telegram ligados ao Hamas disseram que a violência iniciou após a morte do filho de um alto comandante militar do grupo.

O grupo Al-Mezan registrou relatos de combates armados nos bairros de Sabra e Tel al-Hawa, na Cidade de Gaza, ocorridos após o cessar-fogo entrar em vigor na sexta-feira. Segundo suas informações, os agressores alegaram estarem tentando prender suspeitos.

Os confrontos resultaram em baixas entre familiares e os agressores. Após a prisão de vários membros, o vídeo da execução viralizou nas redes sociais, enquanto as autoridades locais não se manifestaram oficialmente.

Na segunda-feira (13), a Radaa declarou estar realizando operações de segurança extensas que resultaram na prisão de inúmeros colaboradores e pessoas fora da lei.

Ainda segundo a Radaa, foram detidos elementos que dispararam contra forças de segurança no centro de Gaza e pessoas ligadas a uma milícia armada e ao recrutamento de colaboradores na guerra no sul da cidade.

Uma nota da família Doghmush expressou choque com a “campanha interna angustiante” que tem como alvo seus membros, incluindo assassinatos, intimidações, torturas e incêndios em residências com moradores.

A família declarou ter perdido cerca de 600 membros na guerra e acusou o Exército israelense de lançar uma campanha brutal após sua recusa em colaborar com a ocupação.

Eles classificaram os eventos atuais como um crime grave contra uma família conhecida por sua resistência e rejeição a qualquer colaboração ou traição, responsabilizando todos os envolvidos perante Deus e a história.

O vídeo das execuções foi amplamente compartilhado, inclusive pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, que afirmou que as imagens demonstram por que o Hamas “deve acabar”.

O ministério declarou que o grupo terrorista governa pelo medo, executando civis, torturando dissidentes e atirando em manifestantes, qualificando suas ações como tirania, e não resistência.

Esse vídeo surgiu pouco depois do presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizar que poderia permitir que o Hamas patrulhasse o território por “um período de tempo”.

Ao ser questionado sobre a renovação do controle do Hamas em Gaza após o cessar-fogo que ajudou a negociar, durante viagem ao Oriente Médio, Trump afirmou que o grupo deseja resolver os problemas e que a aprovação é temporária.

Israel tem pressionado para que o desarmamento total do Hamas seja parte do acordo de cessar-fogo.

O plano de cessar-fogo de 20 pontos de Trump prevê anistia para membros do Hamas que se comprometerem com a coexistência pacífica e entreguem suas armas.

Em resposta no voo para o Oriente Médio, Trump disse que o Hamas patrulhará a área por algum tempo, ressaltando as grandes perdas do grupo e os desafios enfrentados pelos civis retornando a suas casas destruídas, afirmando esperar que a situação se estabilize.

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Créditos: CNN Brasil

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