Ministro da Saúde Padilha critica restrições dos EUA e rejeita participação na OPAS
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, comunicou nesta sexta-feira (19) aos demais ministros da Saúde dos países membros da OPAS que não participará da próxima reunião do Conselho Diretor da organização, que ocorrerá de 29 de setembro a 3 de outubro em Washington, Estados Unidos.
Em carta enviada, Padilha criticou as limitações impostas pelo governo norte-americano, que restringiram sua circulação a poucos quarteirões em Nova York. Ele qualificou a decisão como “arbitrária e autoritária”, alegando que ela viola o direito internacional e compromete a cooperação entre nações soberanas.
O ministro também relatou que o visto de sua esposa e de sua filha, que tem dez anos de idade, foi cassado pelos Estados Unidos, tornando inviável o exercício da diplomacia brasileira. Conforme os termos da autorização concedida, Padilha teria permissão para se deslocar apenas dentro de um perímetro pré-definido em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU.
Padilha contestou os argumentos usados para justificar as restrições, afirmando que eles não se apoiam na realidade dos fatos nem na legislação aplicável nas relações internacionais. Ele criticou a tentativa de atribuir acusações infundadas ao programa Mais Médicos, criado em 2013, e disse que tais decisões colocam em dúvida a experiência democrática dos EUA.
Segundo o ministro, as limitações afetam imediatamente a participação do Brasil em órgãos da ONU sediados nos Estados Unidos, justamente num período em que o país preside temporariamente o Mercosul, os Brics e a Coalizão do G20 na área da Saúde.
Além disso, as restrições impedem encontros bilaterais ministeriais e negociações com laboratórios e instituições de pesquisa internacionais que poderiam fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS).
Padilha ressaltou que ao impedir encontros ministeriais fora do quadrante delimitado, a medida atrapalha o progresso das discussões de pautas e projetos conjuntos.
O ministro considerou que a decisão dos EUA visa impor uma exclusão parcial dos direitos do Brasil como membro das Nações Unidas.
Ele enfatizou que o governo brasileiro não abrirá mão de sua soberania sob qualquer pretexto, lembrando que o povo brasileiro reafirmou com recentes escolhas o valor dado à democracia, à vacinação, ao SUS e ao programa Mais Médicos, que está sendo usado como justificativa para as restrições ao seu visto.
Por fim, Padilha reforçou o compromisso do Ministério da Saúde com a defesa da ciência, da democracia e da cooperação internacional, destacando a relevância da OPAS e da OMS diante de medidas que possam enfraquecer tais instituições.
Créditos: R7