Ministro extremista ameaça derrubar governo Netanyahu após acordo com Hamas
No mesmo dia em que comemorou o acordo com o grupo Hamas para a libertação de reféns na Faixa de Gaza, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, enfrentou ameaças de ruptura na sua coalizão governamental por parte de aliados radicais.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, membro do partido Poder Judaico, afirmou nesta quinta-feira (9) que seu partido pressionará pela queda do governo se o acordo permitir a continuidade do Hamas em Gaza.
Anteriormente, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, do partido Sionismo Religioso, também extremista, declarou que suspender os ataques a Gaza foi um erro grave, pois acredita que a trégua enfraquece Israel e compromete os esforços para eliminar o grupo e desmilitarizar o território.
Ambos os ministros compõem a ala mais radical da coalizão, a mais à direita já vista na história israelense, que conta com uma maioria estreita no Knesset, Parlamento do país. Uma eventual saída desses partidos poderia causar a perda da maioria por Netanyahu, levando a novas eleições.
Especialistas, no entanto, consideram improvável o colapso imediato do governo apesar dos discursos firmes dos ministros radicais. Segundo Revital Poleg, ex-diplomata israelense, a retórica busca acalmar a base mais radical, que rejeita acordos com o Hamas, mas não indica uma ruptura iminente.
Poleg observa que a primeira fase do acordo, que envolve a libertação de todos os reféns, recebeu amplo consenso na sociedade, mas as negociações sobre o futuro de Gaza podem complicar a situação política para Netanyahu.
Além disso, os dois ministros enfrentam desgaste político, com pesquisas recentes indicando queda em sua popularidade e apoio eleitoral.
Caso Ben-Gvir e Smotrich abandonem a coalizão, a possibilidade de colapso não é alta no momento, pois o líder da oposição, Yair Lapid, já ofereceu apoio parlamentar para viabilizar o acordo com o Hamas, e seus partidos detêm um número considerável de assentos.
Yochanan Tzoref, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv, destaca que a legitimidade do governo vem sendo questionada desde o início do conflito e que a implementação da trégua pode aumentar chances de eleições antecipadas.
O Parlamento está em recesso até 27 de outubro, período em que Netanyahu poderá negociar com os setores radicais da coalizão, possivelmente cedendo mais espaço na Cisjordânia ou ampliando áreas sob controle israelense para tentar manter a unidade do governo.
Créditos: Folha de S.Paulo