Moradores de Gaza aguardam fim da guerra e libertação de reféns
Em 7 de outubro de 2023, a rotina dos 2,5 milhões de habitantes da Faixa de Gaza foi interrompida pelo conflito e pelo impacto das bombas. Naquela manhã, militantes do Hamas invadiram o sul de Israel por terra, mar e ar, matando 1,2 mil israelenses e sequestrando 251 pessoas — 48 permanecem em Gaza. A resposta foi rápida: mais de 66 mil palestinos morreram segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.
Às vésperas do segundo aniversário do massacre em Israel e da guerra em Gaza, o Hamas apresentou uma resposta ao plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trazendo esperança. A facção concordou em libertar os reféns e mostrou apoio a alguns pontos da proposta.
Entre domingo (5) e segunda-feira (6), Israel e Hamas continuam negociações sobre a devolução dos sequestrados. O premiê israelense Benjamin Netanyahu garantiu que o Hamas será desarmado, por meio diplomático pelo plano de Trump ou por ação militar. Ele também manifestou expectativa de retorno iminente dos reféns. Trump alertou que não tolerará atrasos na implementação do plano.
Em comunicado pela rede Truth Social, Trump afirmou que a trégua começará assim que o Hamas confirmar seu acordo, iniciando a troca de reféns por prisioneiros. Ele afirmou que isso facilitará a próxima fase de retirada e aproximará o fim de um conflito que já dura três mil anos.
Na manhã de domingo, o jornalista palestino Saber Nuraldin enterrou a amiga Zohara Al Saidi, morta após um ataque de drone enquanto ela e familiares retornavam para casa no campo de refugiados de Al-Shati, na Cidade de Gaza. Nuraldin vive em condições precárias, cuidando sozinho dos quatro filhos e lutando para mantê-los seguros em meio à guerra e às dificuldades diárias, incluindo fome e frio, chegando a dormir na rua.
Outro jornalista, Motasem Dalloul, relatou o sofrimento pessoal: perdeu a esposa e dois filhos em ataques israelenses, classificando a decisão do Hamas de buscar o fim do conflito como vital para cessar o genocídio.
O técnico ceramista Abdel Fattah Al Buhairi também viveu momentos difíceis com a invasão das forças israelenses em sua área, tendo que resgatar seus filhos sob bombardeios. Ele e sua família dependem de doações para sobreviver, dormindo dias sem alimentação.
Para o jornalista Abood Abu Salama, a guerra mudou a vida no campo de refugiados de Jabalia, que antes era simples e marcada por momentos de alegria e liberdade. Ele lamenta a destruição da casa e a perda de normalidade após dois anos de dor e luto.
Ativistas deportados por Israel após tentativa de levar ajuda humanitária a Gaza denunciaram maus-tratos. Israel deteve 400 pessoas e iniciou expulsões, com ativistas chegando a Istambul, onde alguns iniciaram greve de fome.
O plano de paz anunciado por Trump e aprovado por Netanyahu consiste em vários pontos principais: fim da guerra e troca de reféns, governo temporário de Gaza sob comitê internacional liderado por Trump, investimentos para revitalizar Gaza e transformá-la num polo próspero, exclusão do Hamas do governo, mobilização de força internacional para estabilização, e eventual participação da Autoridade Palestina com possibilidade de criação de um Estado.
Milhares têm se manifestado em grandes cidades europeias, como Roma, Barcelona, Dublin e Londres, pedindo o fim imediato do conflito e a libertação dos ativistas. Enquanto isso, o primeiro-ministro britânico pediu o cancelamento dos protestos após um violento ataque em uma sinagoga.
Créditos: Correio Braziliense