Cultura
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Morre Raimundo Carrero, escritor criador da lenda da Perna Cabeluda, aos 78

Morre Raimundo Carrero, escritor criador da lenda da Perna Cabeluda, aos 78

Raimundo Carrero, escritor e jornalista pernambucano, faleceu aos 78 anos na madrugada de terça-feira (16), no Recife. Conhecido por criar a lenda urbana da Perna Cabeluda, que foi retomada no filme “O Agente Secreto”, Carrero estava hospitalizado para tratamento de câncer.

O velório ocorreu na Academia Pernambucana de Letras, localizada no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, da qual ele era membro desde 2004. O sepultamento aconteceu no Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife. Em homenagem ao escritor, o Governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias.

Segundo familiares, Carrero esteve internado por uma semana no Hospital Esperança, na Ilha do Leite, área central da cidade. Ele buscou atendimento após sentir dores, e os exames apontaram câncer em estágio avançado próximo ao pulmão. A família também informou que ele havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) 16 anos atrás e convivia com comorbidades desde então.

Por meio de nota, os familiares agradeceram as demonstrações de carinho de amigos, leitores e admiradores. Destacaram que Raimundo dedicou sua vida à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, construindo uma obra que marcou gerações e contribuiu significativamente para a cultura pernambucana e brasileira. A Academia Pernambucana de Letras também expressou pesar pela perda, reconhecendo Carrero como um dos nomes mais importantes de sua geração em Pernambuco.

Carrero contribuiu tanto para a literatura quanto para o imaginário popular do Recife. Em 1976, criou a história da Perna Cabeluda, uma das mais famosas lendas urbanas locais. Esta personagem voltou a repercutir nacionalmente ao ser retratada no filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, ambientado no Recife e indicado ao Oscar.

Nascido em 20 de dezembro de 1947, em Salgueiro, Sertão de Pernambuco, Raimundo iniciou sua escrita ainda jovem. Trabalhou por 25 anos no “Diario de Pernambuco”, atuando como crítico literário e editor. Também foi professor de criação literária, formando várias gerações de escritores em oficinas dedicadas.

Participou do Movimento Armorial, ligado a Ariano Suassuna, e publicou mais de 20 livros. Dentre suas obras mais renomadas estão “Somos pedras que se consomem”, premiada com o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, e “As sóbrias ruínas da alma”, que ganhou o Prêmio Jabuti em 2000.

Além de escritor e jornalista, Carrero foi presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco e liderou a seccional pernambucana da União Brasileira de Escritores por quatro mandatos consecutivos.

Créditos: Tribuna do Norte

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