Movimentos convocam protestos contra avanço do PL da anistia aos golpistas
O avanço do Projeto de Lei 2162/23, que pode conceder anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), está mobilizando manifestações populares para o próximo domingo (21).
A Frente Povo Sem Medo anunciou protestos em São Paulo, na frente do Museu de Arte de São Paulo (Masp) a partir das 14h, em Fortaleza na Estátua de Iracema Guardiã às 16h30, e no Rio de Janeiro em Copacabana a partir das 14h. Outras cidades também terão atos.
O deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) anunciou essas mobilizações durante a votação da urgência do projeto na Câmara, liderada pelo presidente deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).
“Após aprovarem a PEC da Impunidade, aprovam agora a toque de caixa e sem debate a urgência do projeto da anistia. Enquanto o projeto de isenção do Imposto de Renda não avança, o Congresso ignora o povo. Domingo as ruas em todo o Brasil responderão a essa afronta da direita e da maioria do Congresso”, declarou Boulos em vídeo nas suas redes sociais.
A deputada estadual Rosa Amorim (PT-CE) considerou a urgência do PL da anistia uma continuidade da tentativa de golpe do 8 de janeiro.
“Perdoar os crimes da quadrilha liderada por Bolsonaro é dar sinal verde para a continuidade da conspiração e do golpismo da extrema direita, que ameaçam a democracia e os direitos conquistados. Precisamos de mobilização nas ruas e nas redes para denunciar e impedir essa anistia absurda”, afirmou à reportagem.
A secretária-geral da UNE, Camila Moraes, destacou que o objetivo principal dos protestos é pressionar o Congresso contra a anistia e para que pautem demandas prioritárias ao povo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que está parada desde março.
“Vamos construir pressão social para denunciar os ataques do Congresso, unindo forças para que deputados e senadores discutam e aprovem pautas verdadeiramente relevantes para a sociedade brasileira”, ressaltou.
Camila ainda apontou que pesquisas indicam que a maioria da população é contra a anistia a Bolsonaro e aos golpistas do 8 de janeiro e deseja que os responsáveis sejam punidos.
A coordenadora da Frente Povo Sem Medo, Ana Paula Perles, criticou diversas ações recentes do Congresso.
“Esta semana houve um show de horrores, com Eduardo Bolsonaro se tornando líder da minoria mesmo fora do país e conspirando contra o Brasil. A extrema direita manobrou para protegê-lo, blindando deputados contra investigações, o que traz retrocesso à democracia.
Além disso, a urgência do PL da anistia é absurda. Vamos às ruas cobrar que a política recue e não aceite isso”, afirmou.
Na manhã de quinta-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator do PL 2162/23, que concede anistia a manifestantes políticos entre 30 de outubro de 2022 e a vigência da lei, incluindo os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
A urgência do projeto foi aprovada por 311 votos favoráveis, 163 contrários e sete abstenções, permitindo sua votação a qualquer momento no plenário.
As manifestações contra a anistia já têm locais e horários definidos:
Curitiba – 14h – Boca Maldita
Fortaleza – 16h30 – Estátua de Iracema
Porto Alegre – 14h – Redenção
Recife – 14h – Ginásio Pernambuco
Rio de Janeiro – 14h – Copacabana
Salvador – 9h – Morro do Cristo
São Paulo – 14h – MASP
Uberlândia – 9h – Feira Livre do Bairro Luizote
Créditos: Brasil de Fato