Mudança na linha da Casa Branca impede que Rubio atrapalhe negociação com Brasil
O governo brasileiro avalia que a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Brasil mudou completamente nas últimas semanas. Por essa razão, entende que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, não pode atrapalhar as negociações sobre o tarifaço e sanções contra autoridades brasileiras.
Até o momento, Trump não definiu quais seriam as condições para negociar o relaxamento do tarifaço e das sanções. A expectativa é que, em breve, Trump tenha uma reunião com Rubio para orientar o que será negociado.
Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty reforçam que a única autoridade que determina a direção do governo americano é Donald Trump e que Rubio age conforme as decisões do presidente.
Com a mudança dos objetivos da Casa Branca em relação ao governo Lula, Rubio deve apenas cumprir a orientação do chefe.
Na recente conversa entre Lula e Trump, realizada em 6 de outubro de 2025, o presidente americano indicou Rubio como seu interlocutor nas negociações.
Rubio tem perfil ideológico e anti-esquerda ainda mais pronunciado que o restante da administração Trump, além de certa ligação com o bolsonarismo. Por isso, alguns analistas acreditavam que as negociações poderiam ser difíceis.
A oposição bolsonarista, fragilizada pela aproximação de Lula e Trump, tenta usar a indicação de Rubio para sustentar que a Casa Branca mantém o mesmo alinhamento político.
Entretanto, fontes oficiais ressaltam que a linha mudou e que Rubio apenas implementa as decisões de Trump. Um assessor de Lula lembra que o telefonema entre os dois presidentes estabeleceu um canal direto de comunicação.
Segundo o governo, o telefonema foi organizado sem participação do Departamento de Estado, evidenciando a centralização das decisões em Washington.
A Casa Branca consultou sua embaixada no Brasil, que acionou o Planalto para permitir a conversa.
Diplomatas do Itamaraty avaliam que as manifestações agressivas recentes de Rubio e seus auxiliares refletem lineamentos definidos por Trump, que comanda o Departamento de Estado.
Rubio mantém uma relação antiga com o chanceler Mauro Vieira, incluindo uma reunião presencial em julho de 2025 e contato por mensagens.
O governo brasileiro também minimiza a influência de Eduardo Bolsonaro e do blogueiro Paulo Figueiredo sobre Rubio, lembrando que seus contatos se limitam a figuras do segundo escalão no Departamento de Estado.
O governo aponta três fatores principais para a guinada de Trump quanto ao governo Lula: o trabalho diplomático, a pressão do setor privado e a constatação de que a pressão para que o judiciário brasileiro julgasse Bolsonaro não teve efeito.
Bolsonaristas transmitiram a Trump a ideia de que haveria mobilização no Brasil contra Lula e o STF que poderia influenciar julgamentos, o que não ocorreu.
Além disso, o Congresso não avançou na anistia e o debate sobre redução de penas perdeu força. A pressão dos EUA por meio do tarifaço e sanções fortaleceu, na avaliação oficial, a imagem de Lula.
O governo destaca o papel da diplomacia, que, com paciência, demonstrou ao governo americano que as previsões dos bolsonaristas não se confirmaram.
Outro ponto é a atuação conjunta dos setores econômicos dos dois países e a pressão inflacionária interna nos EUA, que colaboraram para que Trump mudasse seu posicionamento.
Um diplomata brasileiro explicou que, embora não exista como suspender o tarifaço de imediato, há condições para que ele seja reduzido com o tempo, inclusive com possibilidade de ampliação da lista de produtos brasileiros sem a sobretaxa de 50%.
Assim, pode haver algum alívio já a curto prazo, embora o processo possa se estender até as eleições de 2026.
Créditos: g1