Mulheres Negras criticam Lula por indicar Jorge Messias ao STF no Dia da Consciência Negra
O grupo Mulheres Negras Decidem (MND) manifestou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O coletivo vinha cobrando que Lula escolhesse uma mulher negra para a Corte. Tanto Messias quanto os demais candidatos considerados são homens brancos.
A nomeação foi oficializada no Dia da Consciência Negra, uma data dedicada a refletir sobre a desigualdade racial no Brasil. Atualmente, há apenas uma mulher ministrante no STF, Cármen Lúcia, e não há representantes negros no tribunal.
“No 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e às vésperas da Marcha das Mulheres Negras em Brasília, o presidente Lula escolhe ignorar a população negra que o elegeu e indica Jorge Messias ao STF”, declarou o MND em nota oficial.
Em outubro, após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, Lula já havia declarado que não cederia a pressões para nomear uma mulher ou um negro para a vaga, afirmando que buscava alguém “gabaritado”, sem considerar “se mulher ou homem” ou “se preto ou branco”.
O MND chegou a apresentar ao governo uma lista com nove juristas negras para a substituição de Barroso. O grupo classificou a decisão como a repetição de um padrão histórico de exclusão, ressaltando que, pela décima segunda vez desde a redemocratização, o Brasil falha em reconhecer a excelência e o legado das mulheres negras que sustentam o país.
“É mais uma porta fechada. Mais um gesto de desrespeito. Mais um capítulo do racismo estrutural presente no sistema de justiça brasileiro e na vida das mulheres negras”, afirmou a nota.
Até a publicação deste texto, o Palácio do Planalto não havia respondido aos questionamentos sobre a indicação de Messias.
O advogado-geral da União foi indicado para a vaga aberta pela aposentadoria de Barroso, que deixou o STF em 18 de outubro.
Créditos: Valor