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Nasry Asfura é eleito presidente de Honduras após semanas de atrasos

Nasry Asfura, candidato de direita do Partido Nacional e apoiado pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump, foi declarado vencedor da eleição presidencial de Honduras.

O anúncio foi feito na quarta-feira (24) pelo órgão eleitoral do país, encerrando semanas de atrasos, problemas técnicos e alegações de fraude na apuração dos votos da eleição realizada em 30 de novembro.

A autoridade eleitoral, a CNE, informou que Asfura recebeu 40,3% dos votos, superando o candidato centrista Salvador Nasralla, do Partido Liberal, que obteve 39,5%.

Devido à disparidade mínima e à desordem na contagem, cerca de 15% das atas de votação, contendo centenas de milhares de votos, precisaram ser contabilizadas manualmente para definir o resultado final.

Dois membros do conselho eleitoral e um suplente validaram os resultados, mas a disputa seguiu acirrada. O terceiro membro do conselho, Marlon Ochoa, não estava presente no momento do anúncio oficial.

Após a confirmação, Asfura declarou no X: “Honduras: Estou pronto para governar. Não vou decepcioná-los”.

Por outro lado, o presidente do Congresso hondurenho, Luis Redondo, do partido governista LIBRE, rejeitou o resultado, considerando-o um “golpe eleitoral” e afirmando que tal decisão “está completamente fora da lei e não tem valor algum”.

Donald Trump apoiou Asfura, político e empresário de 67 anos, ex-prefeito de Tegucigalpa, qualificando-o no Truth Social como “o único amigo verdadeiro da Liberdade em Honduras” e estimulando os eleitores a apoiarem-no.

Antes da eleição, Trump ameaçou cessar a ajuda financeira dos EUA a Honduras caso Asfura não vencesse e concedeu indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernandez, também do Partido Nacional, que estava cumprindo pena nos EUA por tráfico de drogas e porte ilegal de armas.

Durante a contagem, Trump voltou a alegar fraude sem apresentar evidências, alertando para possíveis “consequências terríveis” caso os resultados preliminares favoráveis a Asfura fossem alterados.

Especialistas interpretam o apoio de Trump a Asfura como parte de sua estratégia para consolidar um bloco conservador na América Latina, envolvendo líderes como Nayib Bukele em El Salvador e Javier Milei na Argentina.

Tanto Nasralla quanto o partido LIBRE criticarama interferência de Trump, considerando-a como intromissão eleitoral. Nasralla afirmou à Reuters que o apoio de Trump prejudicou suas chances nas urnas.

Após a divulgação dos resultados, o secretário de Estado americano Marco Rubio parabenizou Asfura e enfatizou a importância de aceitar o resultado para assegurar uma transição pacífica.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Albert Ramdin, declarou que “toma nota” dos resultados e publicará um relatório com conclusões e recomendações em breve.

Ele reconheceu as dificuldades no processo eleitoral, elogiou o trabalho das instituições hondurenhas e lamentou que a recontagem total dos votos ainda não tenha sido concluída.

Nasry Asfura nasceu em Tegucigalpa em 8 de junho de 1958, de família com origem palestina. Ele estudou engenharia civil, mas não concluiu o curso.

Nos anos 1990, atuou em administrações municipais, conquistando a reputação de funcionário eficiente e discreto. Foi também deputado e ministro de investimentos sociais.

Em 2013, foi eleito prefeito de Tegucigalpa e do distrito adjacente, ganhando popularidade graças a projetos de infraestrutura, o que lhe rendeu o apelido de “Papi, às ordens”, apelido mantido pela sua equipe na campanha presidencial.

Apesar da imagem modesta, ele está sob investigação junto a ex-colaboradores por suposto envolvimento em desvios de fundos públicos e lavagem de dinheiro.

Asfura nega irregularidades e atribui as ações a motivações políticas.

Ao ser questionado sobre representar a extrema-direita, afirmou durante a campanha que “extremos não funcionam” e que é necessário buscar equilíbrio, pois as pessoas querem soluções, independentemente de ideologias ou aparência.

Ele deve assumir a presidência em 27 de janeiro para o mandato de 2026 a 2030.

Créditos: CNN Brasil

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