Nasry Asfura vence eleição presidencial em Honduras após apuração conturbada
Nasry Asfura, candidato conservador do Partido Nacional, foi declarado vencedor da eleição presidencial em Honduras pelo órgão eleitoral do país nesta quarta-feira (24). Ele conta com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O pleito ocorreu em 30 de novembro, mas a divulgação do resultado foi adiada por semanas devido a problemas técnicos, atrasos e acusações de fraude.
Asfura irá substituir Xiomara Castro, atual presidente que, em 2021, levou a esquerda de volta ao poder hondurenho após 12 anos de governos conservadores.
A autoridade eleitoral, conhecida como CNE, informou que Asfura obteve 40,3% dos votos, ligeiramente à frente do centro-direitista Salvador Nasralla, candidato do Partido Liberal, que recebeu 39,5%.
Devido à disputa apertada e complicações no sistema de apuração, cerca de 15% das atas de votação foram contadas manualmente para confirmar o vencedor.
O jornal The New York Times divulgou que observadores internacionais acompanharam a eleição e não encontraram provas de fraude, apesar das alegações de todas as partes.
O resultado foi aprovado por dois membros do conselho eleitoral e um suplente, embora o terceiro conselheiro, Marlon Ochoa, não tenha participado da declaração oficial do vencedor.
Após a divulgação, Marco Rubio, secretário de Estado americano, pediu que todas as partes respeitem os resultados para garantir uma transição pacífica.
No plano político, Asfura apostou em uma pauta pró-empresarial, defendendo o investimento privado para alavancar o país, e focou em emprego, educação e segurança. Também indicou possível mudança no alinhamento diplomático, podendo substituir a relação com Taiwan por uma aproximação com Pequim.
Trump manifestou seu apoio a Asfura, empresário de 67 anos e ex-prefeito de Tegucigalpa, destacando-o como “único verdadeiro defensor da liberdade em Honduras” e incentivando seu voto.
O presidente americano chegou a ameaçar cortar ajuda financeira a Honduras caso Asfura não fosse eleito e concedeu perdão ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, do mesmo partido, que cumpria pena de 45 anos nos EUA por crimes relacionados a tráfico de drogas e armas.
Durante os atrasos na contagem de votos, Trump alegou fraude sem apresentar provas e advertiu sobre possíveis “consequências” caso os resultados preliminares fossem alterados.
Especialistas interpretam o apoio de Trump a Asfura como parte de uma estratégia para consolidar um bloco conservador na América Latina, envolvendo líderes como Nayib Bukele, em El Salvador, e Javier Milei, na Argentina.
Nasralla e o partido governista LIBRE criticaram a interferência de Trump. Nasralla afirmou que a intervenção do presidente americano prejudicou suas chances de vitória.
A Organização dos Estados Americanos (OEA), através de seu secretário-geral Albert Ramdin, anunciou que analisará o resultado e divulgará um relatório com suas conclusões em breve.
Nasry Asfura nasceu em Tegucigalpa em 8 de junho de 1958, numa família de origem palestina. Começou a cursar engenharia civil, mas não concluiu o curso.
Nas décadas de 1990, trabalhou em diversas administrações municipais, tornando-se conhecido pela gestão eficiente e discreta. Também foi deputado e ministro de Investimento Social.
Eleito prefeito da capital e região metropolitana em 2013, Asfura ganhou popularidade por obras de infraestrutura e adotou o slogan “Papi, às ordens” durante a campanha presidencial.
Apesar da imagem simples e trabalhadora, ele é investigado por suspeitas de envolvimento em desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro, acusações que nega, alegando motivações políticas.
Durante a campanha, afirmou que “os extremos não funcionam”, rejeitando ligações com a extrema direita.
Asfura deve assumir o cargo em 27 de janeiro, com mandato previsto até 2030.
Com informações da agência Reuters.
Créditos: g1