Economia
21:07

Nelson Tanure é investigado pela Polícia Federal por ligações com Banco Master

O empresário Nelson Tanure está sendo investigado pela Polícia Federal por seu suposto envolvimento com o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e por um esquema de manipulação das ações da Ambipar.

Fundos administrados pelo Banco Master, como Vexor e Texas FIA, detinham investimentos relevantes na Ambipar, e Tanure participou de operações através da gestora MAM Asset.

Tanure venceu o leilão da Copel Telecomunicações por meio do fundo Bordeaux FIP Multiestratégia, principal veículo de seus investimentos. Auditorias recentes dos fundos associados a Tanure, como Bordeaux e Estocolmo, não puderam emitir opiniões devido à insuficiência de informações financeiras adequadas.

A defesa do empresário afirmou que ele não possui relação societária com o Banco Master e que a única medida adotada contra ele foi a apreensão de seu celular, garantindo que sua inocência será comprovada.

Tanure, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, está sendo investigado de forma aprofundada sobre seu papel na rede de influências ligada ao Banco Master.

Antes dessa operação, ele já era investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), junto ao Banco Master, por um suposto esquema para inflar o preço das ações da Ambipar, que está em recuperação judicial.

Além dos fundos Vexor e Texas FIA, que investiram na companhia, o fundo Texas recebeu aportes da Rioprevidência, investigada por investimentos em letras financeiras do Banco Master.

No fim de 2025, o fundo Texas tinha aproximadamente 90% de sua carteira investida em ações da Ambipar, com o restante em empresas como Emae e Alliar, também relacionadas a Tanure.

O empresário também movimentava recursos por fundos gestionados pela MAM Asset, entre eles o fundo Bordeaux, que venceu o leilão da Copel Telecomunicações com uma oferta de R$ 2,5 bilhões.

Nos documentos oficiais, o Bordeaux e o fundo Garonne aparecem como os únicos sócios da Copel Telecomunicações, sendo ambos geridos pelo Banco Master e atribuídos a Nelson Tanure e Artur Martins de Figueiredo.

Figueiredo é diretor da Banvox, empresa investigada na Operação Carbono Oculto, que apura ligações entre o mercado financeiro e esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele também foi diretor da Trustee, gestora de fundos vinculados a Tanure.

A Banvox também é citada em investimentos do fundo Estocolmo, outro veículo de Tanure gerido pela MAM Asset, que alocou R$ 386 milhões em debêntures da empresa.

O fundo Estocolmo ainda investe R$ 232 milhões em participações no fundo Bordeaux, que concentra os investimentos no veículo Bordeaux Participações, responsável pelo leilão da Copel Comunicações.

As operações na Bordeaux Participações estão sob a responsabilidade de Sílvio Barreto da Silva, procurador de Tanure em outros negócios. O fundo Opus FIP Multiestratégia RL, gerido pelo Banco Master, possui cerca de R$ 1 bilhão em debêntures do Bordeaux.

O fundo Ilha Patmos FIM CP IE, maior fundo da MAM Asset com R$ 3,12 bilhões, compartilha exposição ao Bordeaux e possui aplicações em outros fundos que investem em companhias relacionadas a Tanure, além de posições em opções da PRIO.

A auditoria da RSM responsável pelos fundos Ilha Patmos, nos exercícios de 2023 e 2024, não emitiu opinião sobre suas operações por falta das demonstrações financeiras dos fundos investidos.

Relatórios similares foram emitidos por auditorias em fundos do Banco Master relacionados a Tanure, como Bordeaux e Estocolmo, que apontaram a ausência de informações suficientes para avaliação segura.

A defesa de Nelson Tanure informou que ele não mantém relações societárias com o Banco Master e que a apreensão do seu celular é a única medida adotada contra ele, reforçando a confiança na comprovação de sua inocência durante as investigações do Supremo Tribunal Federal.

Créditos: NeoFeed

Modo Noturno