Economia
15:04

Nelson Tanure nega ser controlador do extinto Banco Master em investigação do STF

O empresário Nelson Tanure declarou ter sido surpreendido na manhã da última quarta-feira, 14, pelo pedido de “busca pessoal” emitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao qual respondeu com “respeito e prontidão”. Ele afirmou, por nota, que nunca foi controlador nem sócio, diretiva ou indiretamente, do extinto Banco Master.

Tanure foi um dos alvos da Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada também na quarta-feira. A operação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, mirando o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e seus familiares. Tanure foi investigado devido a operações financeiras feitas por meio de fundos e corretoras vinculadas ao banco.

Desde 2024, conforme reportagem do Estadão/Broadcast, Tanure estava sob investigação por suspeitas de ser o controlador de fato do Banco Master. A parceria entre ele e Vorcaro foi identificada em negócios no mercado financeiro ocorridos nos últimos anos, período que coincide com rápido crescimento da instituição financeira.

A apuração contra Tanure teve origem em denúncias feitas pela gestora de investimentos Esh Capital. O Ministério Público Federal (MPF) destacou que há “indícios de crime e gestão temerária e indução a erro de investidores”. A gestora é conhecida por atuar como ativista, promovendo mudanças nas empresas em que investe, e já manteve disputas judiciais com Tanure.

O MPF ressaltou que, embora o Banco Master afirme que seu controle é liderado por Daniel Vorcaro e pela 133 Investimentos, há sinais de que Tanure seria o real controlador, utilizando empresas como Aventti, o fundo Estocolmo e a holding Banvox para adquirir participação no banco.

Essas empresas compõem, segundo a Esh Capital, uma estrutura complexa criada por Tanure para ocultar seu envolvimento societário nas companhias em questão.

Em nota divulgada na sexta-feira, Tanure rejeitou qualquer ligação societária, direta ou indireta, com o Banco Master, inclusive através de instrumentos financeiros como opções, debêntures conversíveis em ações ou similares.

Ele afirmou que as relações mantidas com o banco foram estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, prática adotada também com outras instituições financeiras nacional e internacionalmente.

Essas relações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisições de participações, sem interferência na gestão ou conhecimento sobre outras operações internas do banco, todas em conformidade com as leis vigentes.

Tanure garantiu não ter participação nem conhecimento sobre relações do Banco Master com outras instituições financeiras, como Reag, BRB e Fictor.

Informou ainda que vinha reduzindo gradativamente sua exposição ao banco e que eventuais valores remanescentes correspondem a perdas consideradas normais para operações de maior risco. Ele permanece disponível para colaborar com as autoridades e a Justiça.

O empresário expressou confiança na seriedade das investigações e espera que fique comprovado que suas relações com o banco foram totalmente lícitas, mesmo que tenham causado prejuízos a ele.

Durante a busca, seu celular foi recolhido, fato que Tanure considerou inusitado após mais de cinco décadas de atuação empresarial diversificada no Brasil.

Outras operações financeiras envolvendo Tanure estão em apuração, como o investimento da construtora Gafisa, da qual é principal acionista, no fundo imobiliário Brazil Realty, que está sob investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude envolvendo Vorcaro.

Entre 2019 e 2022, a Gafisa aplicou R$ 325,6 milhões neste fundo. Além disso, o fundo Bergamo Multimercado Crédito Privado, vinculado à construtora e criado logo após Tanure assumir cargo no conselho da Gafisa, funcionou como intermediário entre a empresa e fundos ligados a Vorcaro.

O Bergamo movimentou valores que passaram ainda pelo fundo Panarea Multimercado antes de serem aplicados no Brazil Realty. Empresas como Banco Máxima (posteriormente Master), Milo, Talent Construtora e Espaço Engenharia foram principais cotistas do Brazil Realty, todas controladas por Vorcaro, seus familiares ou pessoas próximas.

Executivos foram acusados pela CVM de realizarem operações fraudulentas com cotas do Brazil Realty entre 2018 e 2020.

Para os investigadores da Operação Compliance Zero, Vorcaro teria usado vários fundos para fraudes financeiras com o intuito de desviar recursos para si e aliados.

Os advogados de Tanure afirmam que ele tem extensa experiência no mercado de valores mobiliários e nunca enfrentou processo criminal relacionado a ilícitos nas empresas em que investiu.

Declaram ainda que estão confiantes de que as investigações do STF demonstrarão a inexistência de qualquer prática irregular de Tanure ligada ao Banco Master.

Em dezembro do ano passado, o MPF denunciou Tanure por suposto uso de informação privilegiada em operações financeiras realizadas na Gafisa, envolvendo a compra da incorporadora Upcon em 2019. A defesa contestou a acusação, dizendo que ela não respeita as regras do processo penal.

Créditos: Estadao

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