Internacional
12:09

ONU condena operação dos EUA que capturou Maduro na Venezuela

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta terça-feira (6) que a operação dos Estados Unidos realizada em Caracas para capturar o presidente Nicolás Maduro violou claramente um princípio fundamental do direito internacional.

O pronunciamento da ONU ocorre três dias após os EUA realizarem uma ação militar na capital venezuelana na madrugada do sábado (3), quando Caracas sofreu diversas explosões.

Trata-se do posicionamento mais firme da ONU até o momento em relação à operação americana que resultou na captura de Maduro. Antes, representantes da organização apenas demonstravam preocupação e pediam redução das tensões.

A comunidade internacional condenou a ação dos EUA. Aliados de Maduro, Rússia e China reprovaram duramente a operação durante uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira (5). A China classificou a ação como “bullying”, e a Rússia chamou o governo Trump de “hipócrita e cínico”.

A Casa Branca justificou o ataque como uma operação legal para fazer valer mandado de prisão contra Maduro, acusado de narcoterrorismo, afirmando que o exército americano esteve na Venezuela para apoiar o Departamento de Justiça dos EUA.

Especialistas indicam que a legalidade da operação será contestada em breve dentro e fora dos EUA. Washington alega que a prisão respeitou a Constituição americana, enquanto a ONU aponta violação do direito internacional.

Maduro foi capturado pela madrugada e levado junto com sua esposa para os Estados Unidos, onde enfrentará julgamento por crimes, incluindo tráfico internacional de drogas.

Em Nova York, na segunda-feira (5), Maduro compareceu a uma audiência judicial e declarou-se inocente. Simultaneamente, o Conselho de Segurança da ONU discutiu o ataque americano.

O governo venezuelano reagiu ordenando que a polícia busque e prenda nacionalmente todos que apoiaram ou participaram da ação americana.

Os EUA afirmam que Maduro lidera o “Cartel de los Soles”, acusado de traficar drogas entre a América do Sul e os EUA e de tentar desestabilizar a sociedade americana. Essa organização foi relacionada a grupos terroristas pelo governo americano, justificando o ataque militar.

Especialistas discordam dessas classificações, afirmando que o cartel não possui uma hierarquia única, funcionado como uma rede composta por militares de diferentes patentes e setores políticos na Venezuela. Embora Maduro não seja considerado chefe, pode ser beneficiário de um sistema de “governança criminal híbrida” consolidado no país.

Em declarações recentes, o presidente dos EUA, Donald Trump, informou que não planeja novos ataques, contanto que o governo venezuelano continue cooperando. Ele destacou uma boa relação com a presidente interina Delcy Rodríguez, com quem mantém contato por meio do secretário de Estado, Marco Rubio.

Trump também afirmou que pode autorizar novas operações caso Delcy não mantenha sua posição atual.

Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina da Venezuela após a deposição de Maduro, tomou posse em cerimônia segunda-feira ao ser nomeada pelo Tribunal Supremo de Justiça do país.

No domingo (4), as Forças Armadas venezuelanas reconheceram Delcy como presidente interina, com apoio do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que defendeu sua permanência por 90 dias.

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, também se declararam inocentes no tribunal de Nova York, onde o venezuelano afirmou ser um “prisioneiro de guerra”.

Essa situação marca um novo capítulo nas tensões entre EUA e Venezuela, com repercussões no Conselho de Segurança da ONU e atenção da comunidade internacional.

Créditos: g1

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