ONU discute tensão Irã-EUA em reunião do Conselho de Segurança
O Conselho de Segurança da ONU se reuniu na quinta-feira (15) para abordar a situação do Irã diante do aumento das tensões com os Estados Unidos.
O encontro foi convocado a pedido do governo Trump.
Durante a reunião, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que seu país apoia “o povo corajoso do Irã” e destacou que Trump “deixou claro que todas as opções estão sobre a mesa para impedir o massacre”.
Waltz rejeitou ainda as acusações do Irã de que os protestos seriam “uma conspiração estrangeira para iniciar uma ação militar”.
Por sua vez, o vice-embaixador iraniano, Gholamhossein Darzi, declarou que o Irã não busca confronto e acusou Waltz de recorrer “a mentiras, distorção dos fatos e uma campanha deliberada de desinformação para ocultar o envolvimento direto dos EUA em incitar a violência”.
O embaixador da Rússia, Vassily Nebenzia, criticou os Estados Unidos por convocar a reunião e alegou que a intenção é “justificar uma agressão flagrante e interferência nos assuntos internos de um Estado soberano”, além de ameaçar “resolver o problema iraniano por meio de ataques para derrubar um regime indesejável”.
A alta funcionária da ONU, Martha Pobee, destacou que o secretário-geral António Guterres “apela a todos os envolvidos para que evitem ações que possam causar mais mortes ou uma escalada regional”.
A embaixadora da Dinamarca, Christina Markus Lassen, ressaltou o apelo do povo iraniano por uma vida melhor, afirmando que “por muito tempo os líderes em Teerã ignoraram esse pedido” e exortou o governo do Irã a ouvir e responder pacificamente às demandas da população.
Teerã e Washington enfrentam uma escalada de tensões após o governo dos EUA sugerir a possibilidade de um ataque ao Irã, em meio a uma onda de protestos que percorrem o país. O Irã advertiu que responderá a qualquer ofensiva militar.
Desde 28 de dezembro, milhares manifestam-se nas principais cidades iranianas contra o regime do aiatolá Ali Khamenei, motivados pela insatisfação com a situação econômica.
Nos últimos dias, o presidente Donald Trump indicou que os Estados Unidos podem interferir nos protestos. Em 13 de janeiro, Trump ameaçou “medidas muito duras” caso o Irã execute manifestantes, após denúncia de possível enforcamento de um jovem de 26 anos detido. Após a declaração, a execução foi adiada.
Em 14 de janeiro, a agência Reuters informou que os EUA começaram a retirar parte dos funcionários de bases militares no Oriente Médio como precaução diante do risco de um contra-ataque.
Créditos: g1