ONU paralela? Conselho da Paz de Trump gera receios globais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encaminhou convites a líderes de aproximadamente 60 países para integrar um “Conselho da Paz”.
Entre os convidados está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contudo, há apreensão na comunidade internacional de que essa nova entidade possa enfraquecer o papel da Organização das Nações Unidas (ONU).
O Conselho da Paz foi criado por Trump com o propósito de atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, podendo também ser empregado em outros conflitos internacionais futuramente.
De acordo com a agência Reuters, o envio das cartas provocou preocupações entre autoridades mundiais, principalmente na Europa. Diplomatas expressaram receios de que a medida possa enfraquecer as Nações Unidas como um todo.
Um alto funcionário da ONU não comentou diretamente o plano de Trump, porém ressaltou que a organização é a única instituição com autoridade moral e legal para reunir todas as nações, sejam elas grandes ou pequenas.
Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, declarou à Sky News: “Se questionarmos isso… retrocedemos para tempos muito, muito sombrios”.
Trump historicamente critica instituições multilaterais, em especial a ONU, questionando a eficácia, o custo e a responsabilidade desses organismos, além de alegar que frequentemente eles não servem aos interesses dos Estados Unidos.
Para o professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, a proposta de Trump apresenta diversas falhas e concentra poder excessivo numa única liderança, que seria a do próprio presidente norte-americano.
Ao exigir uma contribuição de US$ 1 bilhão por país interessado em um assento permanente, e ao afirmar que administraria esses recursos, Trump levanta dúvidas quanto à transparência e ao controle das decisões estratégicas, avalia Stuenkel.
“O arranjo reflete uma abordagem personalista e unilateral, concentrando poder na figura de Trump, que teria influência decisiva e poder de veto sobre o funcionamento do órgão”, aponta o professor. “Há um temor real de que o Conselho se transforme numa espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.”
Além disso, Stuenkel destaca questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, pois Trump nomeou seu genro, Jared Kushner, e o conselheiro Steve Witkoff para participarem da estrutura, ambos com interesses empresariais na região de Gaza.
Créditos: g1